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Seguradoras poderão aumentar prémios e excluir riscos climáticos das apólices
Grupo de profissionais dos setores segurador e ressegurador alerta para o agravamento dos custos, apontando para a eventual exclusão de riscos como incêndios e inundações e a retirada de cobertura em algumas regiões.
16 Out 2026 - 15:23
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Foto Freguesia de Manhouce
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Foto Freguesia de Manhouce
As seguradoras poderão vir a aumentar os prémios, limitar as coberturas e deixar de assegurar determinados riscos à medida que as alterações climáticas agravem os prejuízos provocados por fenómenos extremos. O alerta é do Inside Track, um grupo de profissionais dos setores segurador e ressegurador da Europa e do Reino Unido.
Num memorando conjunto intitulado ‘Dar o alerta’, os profissionais dizem-se “profundamente preocupados” com o aumento dos eventos extremos ligados às alterações climáticas e com as consequências que estes têm para a sociedade e especificamente, neste setor, para os clientes, governos e investidores.
O grupo teme que os níveis de risco que estão a ser observados “não estejam a ser comunicados aos governos ou não estejam a ser devidamente compreendidos e incorporados nas suas decisões”. Na sua perspetiva, “sem intervenção, estes riscos físicos traduzir-se-ão em riscos económicos significativos. O enfraquecimento do mercado hipotecário esteve na origem da crise financeira mundial. Receamos que um aumento acentuado do número de imóveis de alto risco sem seguro possa produzir consequências semelhantes à medida que os impactos das alterações climáticas se intensificam”, justificam.
Perante o aumento dos fenómenos extremos que impactam no negócio segurador e ressegurador, o grupo sublinha que as alterações climáticas “não são culpa nossa nem uma responsabilidade que nos caiba explicitamente”. No entanto, dizem que também não são totalmente impotentes. “Através dos produtos que comercializamos, da informação que decidimos partilhar ou ocultar e da forma como participamos na definição das políticas públicas, as nossas escolhas influenciarão a gravidade dos impactos”, pode ler-se no documento.
As respostas do setor
Os autores identificam três respostas possíveis do setor ao aumento dos riscos físicos associados às alterações climáticas. Nomeadamente, encarecer os seguros para refletir a maior exposição a sinistros, excluir riscos considerados demasiado elevados e retirar cobertura em regiões ou setores onde não seja possível equilibrar os prémios recebidos com os prejuízos esperados. Entre os riscos que poderão ficar excluídos estão os incêndios florestais e inundações.
A retirada de cobertura poderá afetar particularmente zonas costeiras, montanhosas e sujeitas a inundações, segundo o memorando. Assim, nesses locais, famílias e empresas poderão enfrentar maiores dificuldades em proteger os seus imóveis e atividades contra fenómenos extremos.
Os especialistas alertam que as consequências poderão estender-se para além do mercado segurador. Isto por que o aumento dos prémios poderá tornar os seguros incomportáveis para famílias com menores rendimentos, enquanto a falta de cobertura poderá dificultar o acesso ao crédito à habitação, uma vez que o seguro é um instrumento importante na gestão do risco dos empréstimos hipotecários, sublinham.
O documento assinala ainda que os prejuízos não cobertos pelas seguradoras poderão recair sobre os proprietários, as empresas e os governos, aumentando a pressão sobre os orçamentos públicos.
O grupo defende, por isso, uma maior atenção à redução dos riscos climáticos e à necessidade de antecipar os impactos económicos e financeiros.
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