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Seguradoras utilizam o satélite Copernicus para avaliar riscos climáticos e o seu impacto nas apólices

Autoridade Europeia dos Seguros e Pensões Complementares de Reforma e a Agência da UE para o Programa Espacial divulgam projeto-piloto de observação da Terra.

24 Mar 2026 - 13:09

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A Autoridade Europeia dos Seguros e Pensões Complementares de Reforma (EIOPA) e a Agência da União Europeia para o Programa Espacial (EUSPA) publicaram, nesta terça-feira, um documento conjunto que explora a forma como os dados de Observação da Terra (OT) podem ser utilizados para melhorar a supervisão de catástrofes naturais e avaliar o impacto de eventos climáticos extremos no setor segurador europeu.

Trata-se do resultado de um projeto-piloto conjunto entre a EIOPA e a EUSPA, que destaca os benefícios da utilização de dados de Observação da Terra de acesso aberto do programa Copernicus para reforçar a monitorização e a gestão de catástrofes naturais. O projeto demonstra que os dados baseados em satélite fornecem informação geoespacial independente, objetiva e quase em tempo real, podendo melhorar significativamente as práticas de avaliação e gestão de risco por parte de seguradoras, comunidades e autoridades reguladoras.

Segundo um comunicado da EIOPA, a tecnologia de Observação da Terra — em particular os dados abertos do Copernicus — pode melhorar a identificação de riscos, reforçar a construção de cenários e acelerar as estimativas de perdas após sinistros.

Os supervisores financeiros podem tirar partido desta tecnologia para uma identificação rápida das áreas afetadas e das empresas de seguros expostas. As imagens de satélite permitem mapear as zonas atingidas por desastres (por exemplo, a extensão e a trajetória de inundações ou tempestades) à medida que os eventos ocorrem. Estes dados geoespaciais detalhados podem ser combinados com os relatórios regulamentares da Solvência II, permitindo estimar o impacto potencial de catástrofes naturais em seguradoras individuais (perspetiva microprudencial).

A tecnologia permite igualmente estimar, numa fase inicial, a magnitude global das perdas, alargando a análise do nível micro ao setor no seu conjunto (perspetiva macroprudencial). Além disso, contribui para melhorar a análise comparativa, a validação de modelos e o desenho de testes de cenário e de esforço, fornecendo referências objetivas e baseadas em dados com as quais os resultados dos modelos e as perdas reportadas ou estimadas podem ser comparados.

“A colaboração entre a EIOPA e a EUSPA demonstra o valor da inovação na resposta aos desafios colocados pelos desastres relacionados com o clima: quando utilizados de forma eficaz, os dados de Observação da Terra podem contribuir para um setor segurador mais resiliente e sustentável — um setor que proteja melhor os cidadãos e as empresas europeias dos efeitos adversos das alterações climáticas”, refere o supervisor europeu dos seguros.

Segundo a presidente da EIOPA, Petra Hielkema, “a gestão do risco climático não pode depender apenas de dados históricos e das suposições neles baseadas — exige referências sólidas e independentes. Ao combinar a experiência de supervisão com os dados de acesso aberto do Copernicus, demonstramos que a tecnologia espacial pode tornar-se uma ferramenta prática para a resiliência financeira. Esta colaboração mostra que a Europa dispõe de todos os meios para liderar o desenvolvimento de soluções transparentes e de acesso livre que reforcem as seguradoras e promovam sociedades mais resilientes.”

Já o português Rodrigo da Costa, diretor executivo da EUSPA, afirmou: “A infraestrutura espacial europeia não se limita a satélites em órbita; trata-se de gerar valor real na Terra. Os dados espaciais sustentam serviços inovadores que reforçam a resiliência e apoiam a tomada de decisão em diversos setores. Embora este projeto-piloto se tenha centrado nas inundações, os dados do Copernicus podem também apoiar a monitorização de incêndios florestais, sismos, deslizamentos de terras, tempestades, secas e riscos associados aos ecossistemas. Este é um exemplo claro de como a tecnologia espacial pode reforçar o setor financeiro e gerar benefícios tangíveis para a economia e a sociedade.”

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