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Europa perde neve apesar de inverno rigoroso: novos dados de satélite revelam mudanças aceleradas na paisagem
Agência Europeia do Ambiente mostra a cobertura de neve em declínio estrutural e crescente instabilidade geológica.
09 Fev 2026 - 17:01
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Apesar de um inverno particularmente frio e com episódios de nevões intensos em várias regiões, novos dados de satélite indicam que a cobertura de neve na Europa continua a diminuir de forma consistente, confirmando uma tendência associada às alterações climáticas. A conclusão surge nas primeiras análises divulgadas pela Agência Europeia do Ambiente (AEA), que utilizam informação quase em tempo real do programa Copernicus para revelar transformações rápidas na paisagem europeia.
Segundo a AEA, as mudanças na neve são hoje um dos indicadores mais claros da evolução do clima no continente. Enquanto zonas do Sul da Europa e regiões de média altitude, como os Alpes e os Pirenéus, registam épocas de neve mais curtas e mantos cada vez mais reduzidos, a Escandinávia tem vivido episódios pontuais de aumento da precipitação. Este contraste regional evidencia uma nova realidade climática marcada por maior variabilidade anual e por padrões cada vez menos previsíveis, refere a AEA.
Os dados mostram que, apesar de eventos meteorológicos extremos que podem sugerir o contrário, a tendência estrutural continua a ser de declínio da neve na Europa. Para os investigadores, este fenómeno poderá ter implicações relevantes para os recursos hídricos, os ecossistemas de montanha e atividades económicas dependentes da neve, como o turismo de inverno.
Além das alterações na criosfera, os relatórios destacam também mudanças significativas no próprio movimento do solo europeu. Na Islândia, a atividade vulcânica regressou à Península de Reykjanes após cerca de 800 anos de relativa inatividade, alterando rapidamente a paisagem e colocando desafios às infraestruturas locais.
Noutras regiões do continente, as zonas costeiras enfrentam simultaneamente a subida do nível do mar e o afundamento do terreno, um fenómeno que pode resultar tanto de processos naturais, como movimentos tectónicos ou reajustes pós-glaciais, como de ações humanas, explica a agência.
A extração intensiva de águas subterrâneas, a mineração e a expansão urbana são apontadas como fatores que aceleram a subsidência do solo em várias áreas europeias, aumentando riscos para cidades e infraestruturas.
As análises divulgadas baseiam-se em mais de 250 conjuntos de dados territoriais disponibilizados pelo Serviço de Monitorização do Território do Copernicus. Segundo a AEA, estas ferramentas permitem acompanhar em detalhe a evolução das florestas, das áreas agrícolas, das cidades e dos ecossistemas naturais, ajudando a identificar tendências ligadas às alterações climáticas, à desflorestação, à urbanização e à degradação do solo.
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