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Start Campus e EDP firmam parceria para acelerar centros de dados alimentados a renováveis

Acordo estratégico tem Sines como âncora inicial e visa reforçar resiliência elétrica e atrair investimento para expandir centros de dados em Portugal.

26 Fev 2026 - 12:53

3 min leitura

Foto: EDP

Foto: EDP

A Start Campus e a EDP assinaram uma parceria para acelerar o desenvolvimento de centros de dados de nova geração alimentados por energia renovável em Portugal. Numa conferência telefónica com analistas, no âmbito da apresentação dos resultados de 2025, o presidente executivo da energética portuguesa afirmou que se trata de “um passo interessante” no desenvolvimento da estratégia da empresa no segmento das infraestruturas digitais.

“Na essência, o memorando de entendimento é apenas uma manifestação de interesse de ambas as partes para explorar sinergias entre as suas atividades. Nós somos especialistas no lado da energia e eles no lado da infraestrutura”, referiu Miguel Stilwell d’Andrade.

O gestor explicou que o acordo assenta em três vertentes principais: a EDP poder ser considerada parceira estratégica de energia do projeto (quer através do fornecimento de energia, quer através da eventual adicionalidade de projetos renováveis), a exploração de sinergias com infraestruturas energéticas já operadas pelo grupo e, por fim, uma potencial colaboração em futuros desenvolvimentos de centros de dados em Portugal.

“Acima de tudo, isto abre a possibilidade de criar valor adicional dos nossos ativos e operações existentes, ao mesmo tempo que nos dá maior visibilidade sobre volumes futuros de procura, que poderiam apoiar o desenvolvimento de um projeto de energia renovável”, afirmou.

A parceria tem como ponto de partida o SINES Data Campus, em Sines, projeto considerado estruturante para a ambição nacional de captar grandes operadores tecnológicos internacionais. As duas empresas admitem então querer expandir a colaboração para outros mercados.

Num contexto em que a procura por capacidade computacional dispara, impulsionada pela inteligência artificial, serviços na cloud e armazenamento massivo de dados, a pressão sobre os sistemas elétricos europeus tem vindo a aumentar. Bruxelas tem defendido a necessidade de alinhar a expansão digital com metas de descarbonização e autonomia energética, reduzindo a dependência de importações.

No comunicado divulgado, a Start Campus e a EDP comprometem-se a desenvolver soluções técnicas e comerciais que garantam fornecimento competitivo de eletricidade renovável, estabilidade de preços a longo prazo e maior robustez da rede elétrica.

Ao combinar a experiência da EDP em energias renováveis com a plataforma de centros de dados da Start Campus, apoiada pelo fundo norte-americano Davidson Kempner Capital Management, o objetivo é criar condições para viabilizar infraestruturas digitais de grande escala, reforçando simultaneamente a segurança do sistema elétrico nacional.

O SINES Data Campus tem capacidade prevista de 1,2 gigawatts, alimentado exclusivamente por energia renovável, e com investimento estimado em 8,5 mil milhões de euros. A EDP fechou 2025 com um resultado líquido de 1.150 milhões de euros, um aumento de 44% face aos cerca de 800 milhões de euros do ano anterior.

Os resultados refletem o “forte contributo da EDP Renováveis, parcialmente mitigado pela redução dos preços de venda de eletricidade em Portugal e Espanha, e a desvalorização cambial no Brasil”, justificou a empresa em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

A EDP Renováveis obteve lucros de 216 milhões de euros no ano passado, um aumento de 772 milhões de euros face ao resultado de 2024, em que foram registadas “perdas extraordinárias significativas”, sobretudo devido à saída da Colômbia.

 

CBN com Agência Lusa

Editado por Jornal PT Green

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