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Sustentabilidade torna-se motor da economia apesar de falhas na execução

Tiago Carrilho, do BCSD, defende que transição energética avança pelo mercado, mas adverte para crescente exposição ao risco físico das alterações climáticas e impactos adversos da inteligência artificial.

29 Jan 2026 - 14:30

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Foto: Freepik

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O diretor de Conhecimento e Formação do BCSD Portugal, Tiago Carrilho, apresentou nesta terça-feira uma visão dual da sustentabilidade empresarial em 2026: se por um lado o mercado sustenta a transição energética “apesar do menor apoio político”, por outro a “lacuna de execução” persiste e os riscos físicos das alterações climáticas obrigam as empresas a priorizar a adaptação face à mitigação.

No evento “Tendências ESG 2026 (e mais além)”, organizado pelo Business Council for Sustainable Development (BCSD) Portugal, Tiago Carrilho adotou uma narrativa dividida em três eixos, “The Good, The Bad and The Ugly”, para caracterizar o estado da sustentabilidade corporativa.

Entre os aspetos positivos, o responsável do BCSD Portugal destacou que 41% das 2.000 maiores empresas do mundo já apresentam metas de neutralidade carbónica para toda a cadeia de valor. “Tecnologias maduras (solar, eólica e veículos elétricos) atingiram cost-parity e tornam a transição economicamente inevitável”, afirmou, acrescentando que o investimento sustentável continua robusto, “apesar de alguma retração”, com foco redirecionado para “impacto real e mensurável”.

Tiago Carrilho apontou também a crescente centralidade da economia circular e da gestão de matérias-primas críticas nas estratégias empresariais, “especialmente para fazer face à volatilidade trazida pela instabilidade geopolítica”.

Quanto aos aspetos negativos, o responsável do BCSD Portugal alertou para a persistência de uma “lacuna de execução”, isto é, “dados existem, mas ainda não decidem por eles próprios”. Nesse sentido, salientou que a priorização recai sobre dados “realmente materiais e com ligação clara à performance financeira”. Tiago Carrilho referiu ainda que, apesar de melhorias nos relatórios de sustentabilidade, impulsionadas pela simplificação regulatória na União Europeia e pelas incertezas nos Estados Unidos, estes “não mudam as prioridades” das empresas.

No capítulo dos desafios mais graves, Tiago Carrilho foi taxativo, ao declarar que “a adaptação ganha peso face à mitigação”. O responsável justificou esta reorientação com a “crescente exposição ao risco físico” das alterações climáticas, citando projeções segundo as quais “a proporção de infraestruturas expostas a perdas acima de 20% do seu valor aumentará cinco vezes até 2050”.

Tiago Carrilho alertou também para o reforço da supervisão financeira, com entidades como o Banco Central Europeu a reconhecerem “cada vez mais a gestão do risco climático como central à estabilidade financeira”, aplicando até sanções em caso de incumprimento por parte dos bancos.

A inteligência artificial (IA) foi outro tema abordado. Apesar dos benefícios para a produtividade, nomeadamente no relato e verificação de dados de sustentabilidade, Tiago Carrilho sublinhou que existem impactos adversos. Evidenciou que os centros de dados irão triplicar o consumo energético até 2030, sendo que “apenas 25% desse aumento” será coberto por energia renovável. Acrescem riscos de desinformação, cibersegurança e ética, além do agravamento da desigualdade de género, já que “as mulheres serão duas vezes mais afetadas do que os homens pela substituição de empregos devido à IA”, estimou.

O evento contou ainda com intervenções de Manuel Mota, da EY Portugal, que defendeu a manutenção do reporte voluntário de sustentabilidade como vantagem competitiva, e de Beatriz Costa Gomes, da Microsoft AI, que apresentou dados sobre a utilização crescente da inteligência artificial como “assistente pessoal” no quotidiano. Rafael Popper, da Futures Capacity Academy, encerrou com uma defesa do “foresight” como “disciplina central” para decisões ESG entre 2030 e 2050, argumentando que “o futuro depende menos de reporte e mais da capacidade de tomar decisões robustas em ambiente de incerteza”.

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