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TCE: Fundo de Inovação da UE sofre de execução lenta e “pouco contribui para a redução de emissões”
Atrasos travam impacto do Fundo de Inovação da UE, com menos de 1% do orçamento pago e poucos resultados no corte de emissões, alerta Tribunal de Contas Europeu.
20 Mar 2026 - 07:40
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O Fundo de Inovação da União Europeia (UE), criado para inserir o setor das tecnologias limpas no mercado, tem visto o seu potencial “diminuído por uma execução lenta”, adianta um novo relatório do Tribunal de Contas Europeu (TCE). “A execução é baixa e o Fundo pouco contribui para a redução das emissões de gases com efeito de estufa”, conclui.
O Fundo foi lançado em 2020 a fim de apoiar a transição para uma economia que evite aumentar a quantidade de dióxido de carbono presente na atmosfera. Financia projetos que intervêm em setores que gastam muita energia, nas fontes renováveis, no armazenamento e no hidrogénio. Apoia ainda iniciativas de captura, utilização e armazenamento de CO2.
“A execução vagarosa e os muitos atrasos e cancelamentos dos projetos levaram a que, até à data, houvesse poucos resultados”, constatou João Leão, membro do TCE responsável pela auditoria. Acrescenta: “Para o Fundo ter o máximo de impacto possível, são precisas prioridades políticas claras, uma mobilização mais rápida do dinheiro e avaliações dos projetos mais realistas”.
O relatório do Tribunal observa que até ao final de junho de 2025, quase cinco anos após o seu lançamento, o Fundo pagou aos projetos 332 milhões de euros, menos de 1% do orçamento total previsto. O TCE diz o facto de o pacote ser, em parte, financiado pelos leilões do Sistema de Comércio de Licenças de Emissão (CELE) é razão deste atraso.
As receitas do CELE dependem dos preços do mercado do de carbono. Por esse motivo, a instituição de auditoria europeia explica que as verbas disponíveis são “naturalmente incertas” e “não há nenhum mecanismo que garanta um nível mínimo de recursos”. Esta incerteza afeta a utilização do dinheiro e, por consequência, a redução das emissões de gases com efeito de estufa, adiciona.
“Em combinação com os prazos muito compridos de desenvolvimento dos projetos, a situação resultou na acumulação de montantes elevados à espera de serem gastos”, descreve o Tribunal. Perante esta condição, o TCE apela que sejam criadas “mais medidas para melhorar o planeamento do orçamento e permitir que as verbas fiquem disponíveis mais depressa”.
A auditoria revela que muitos projetos “mostram atrasos” e “cerca de um em cada cinco fracassa antes de entrar em funcionamento”. As reduções de emissões estimadas são um fator decisivo na seleção de projetos e, segundo o TCE, “são calculadas com base em suposições teóricas”, método que pode conduzir a projeções “demasiado otimistas” e pesar na hora de escolher as iniciativas que recebem as verbas.
Até ao final de 2024, apenas cinco dos 208 projetos contemplados tinham provado cortar nas emissões de gases com efeito de estufa. O Tribunal denota mesmo que o conjunto de projetos do Fundo alcançou menos de 5% das reduções previstas. Face a esta evidência, argumenta que a Comissão Europeia deve melhorar seus os métodos de avaliação e ser mais flexibilidade, caso necessário.
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