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Tempestades de inverno estão 36% mais intensas no Sul da Península Ibérica desde 1950

Análise do World Weather Attribution associa agravamento dos episódios extremos de precipitação na Península Ibérica e Norte de Marrocos à influência da atividade humana nas alterações climáticas.

26 Fev 2026 - 11:29

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Foto: Câmara Municipal de Alcácer do Sal

Foto: Câmara Municipal de Alcácer do Sal

A sucessão de tempestades que atingiu Portugal, Espanha e Marrocos desde meados de janeiro insere-se numa tendência de agravamento dos episódios de precipitação extrema no inverno. A conclusão é de uma análise divulgada, nesta quinta-feira, pelo World Weather Attribution (WWA), que identifica um aumento significativo na intensidade dos dias mais chuvosos nas últimas décadas.

O estudo analisou a precipitação máxima acumulada num só dia (Rx1day, na sigla formal) em duas áreas particularmente afetadas: Norte de Portugal/Noroeste de Espanha e Sul de Portugal/Sudoeste de Espanha, incluindo ainda o Norte de Marrocos. Desde 1950, os episódios mais extremos tornaram-se cerca de 29% mais intensos na região norte e 36% mais intensos na região sul.

Combinando dados observacionais com simulações de modelos climáticos, os investigadores estimam um aumento “combinado” de cerca de 11% na intensidade dos eventos extremos na região norte, valor considerado consistente com a influência das alterações climáticas induzidas pela atividade humana.

O relatório sublinha que o risco cresce à medida que comunidades e infraestruturas permanecem expostas, sobretudo em zonas inundáveis e em territórios onde o ordenamento não integra o risco climático. Ainda que sistemas de aviso e medidas preventivas tenham mitigado impactos em alguns contextos, a tendência de intensificação aumenta a probabilidade de danos severos.

Impactos em Portugal

Em Portugal, o WWA destaca os efeitos da tempestade Kristin, que provocou rajadas até 202 km/h, cortes de energia que afetaram cerca de um milhão de pessoas no pico do evento e danos estruturais generalizados. Perante a dimensão da destruição, o Governo anunciou um pacote de 3,5 mil milhões de euros para apoiar a reconstrução.

Para a organização ambientalista Greenpeace Portugal, a análise agora divulgada reforça a necessidade de respostas estruturais. “Não se trata de uma mera flutuação meteorológica sazonal, mas sim de uma alteração sistémica do clima, exacerbada por décadas de emissões e pela dependência estrutural dos combustíveis fósseis”, ressalva o diretor da organização, Toni Melajoki Roseiro, citado em comunicado.

A associação sustenta que a intensificação da precipitação extrema se traduz em impactos socioeconómicos “cada vez mais severos” e expõe fragilidades nos sistemas de proteção social, apontando como exemplo as comunidades ainda sem acesso a eletricidade e serviços básicos semanas após os eventos.

Com base nos resultados, a Greenpeace Portugal defende uma resposta assente em dois pilares: mitigação e adaptação. Entre as medidas propostas estão a redução rápida das emissões e a aceleração da transição energética (em linha com os compromissos assumidos no Acordo de Paris) a execução efetiva de um plano nacional de adaptação, o travão à ocupação de zonas de risco, o reforço de infraestruturas críticas e uma melhor articulação entre níveis municipal e nacional em sistemas de aviso, resposta e recuperação.

“Portugal não pode normalizar a exceção. A reconstrução é necessária, mas não pode transformar-se num ciclo infinito de remendos”, sustenta o responsável da organização, defendendo que a política climática deve passar da reação à prevenção.

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