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Tempestades podem ter custado até 240 vezes mais do que a multa europeia
Análise da NBI indica que prejuízos das tempestades podem ter atingido até 6 mil milhões de euros e poderiam ter sido parcialmente evitados com soluções baseadas na natureza.
11 Mar 2026 - 16:14
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Foto: Município de Leiria / Facebook
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Foto: Município de Leiria / Facebook
As tempestades que atingiram Portugal recentemente poderão ter provocado prejuízos entre 5.000 e 6.000 milhões de euros, um valor até 240 vezes superior à multa de 10 milhões de euros aplicada pelo Tribunal de Justiça da União Europeia a Portugal por falhas na proteção da Rede Natura 2000.
A estimativa resulta de uma análise da consultora portuguesa NBI – Natural Business Intelligence, especializada na valorização do capital natural.
O estudo cruza dados sobre os danos provocados pelo chamado “comboio de tempestades” com estimativas económicas de medidas de restauro ecológico e gestão natural do risco de inundação, conhecidas como Soluções Baseadas na Natureza. Segundo a NBI, entre 40% e 55% dos prejuízos totais poderão estar associados a fenómenos hidrológicos como cheias, saturação de solos e perda da capacidade natural de retenção de água.
Estas perdas representam valores entre 2.200 e 3.300 milhões de euros. Num cenário conservador, a consultora estima que cerca de 15% destes danos poderiam ter sido mitigados através de intervenções ecológicas como o restauro de zonas húmidas, planícies de inundação e galerias ripícolas, reduzindo perdas entre 330 e 495 milhões de euros.
Por comparação, programas de restauro ecológico em bacias hidrográficas prioritárias poderiam exigir investimentos entre 15 e 25 milhões de euros, potencialmente apoiados por instrumentos europeus de financiamento.
Três perfis de vulnerabilidade territorial
A análise identifica ainda três perfis distintos de vulnerabilidade territorial expostos pelas tempestades, particularmente visíveis nas regiões de Leiria, Coimbra e Alcácer do Sal.
Em Leiria, onde se concentrou entre 50% e 60% dos prejuízos nacionais, os danos estiveram sobretudo associados a ventos ciclónicos e à fragilidade de infraestruturas e sistemas naturais de proteção costeira. A Mata Nacional de Leiria, historicamente plantada para estabilizar dunas e proteger o território dos ventos atlânticos, voltou a ser severamente afetada.
Em Coimbra e Alcácer do Sal, o padrão foi diferente. Em Coimbra, as cheias do rio Mondego e os deslizamentos de terra refletem a perda gradual das planícies naturais de inundação e a pressão urbana sobre as margens fluviais.
Já em Alcácer do Sal, a subida do nível do rio Sado e as descargas de barragens a montante deixaram centenas de habitações inabitáveis, evidenciando a vulnerabilidade das planícies estuarinas.
Segundo a NBI, estes casos mostram que muitos dos impactos observados resultam não apenas da intensidade das tempestades, mas também de décadas de transformação do território que reduziram a capacidade natural de absorver eventos extremos.
Num contexto em que a União Europeia exige que os Estados-membros apresentem os seus Planos Nacionais de Restauro da Natureza até agosto de 2026, a consultora defende que investir na resiliência ecológica do território pode reduzir significativamente os custos económicos associados a fenómenos climáticos extremos.
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