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UE atribui 650 milhões de euros a infraestruturas energéticas transfronteiriças
Maior fatia do pacote vai para central hidroelétrica em Espanha, com 180 milhões de euros. Comissão financia pela primeira vez proteção de infraestruturas e aposta no hidrogénio.
28 Jan 2026 - 18:18
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A Comissão Europeia vai distribuir 650 milhões de euros por 14 projetos de infraestruturas energéticas transfronteiriças, num financiamento que ultrapassa os 600 milhões inicialmente previstos, anunciou nesta quarta-feira. A maior fatia de 180 milhões de euros, quase 28% do total, destina-se a uma central hidroelétrica em Espanha.
O projeto AGUAYO II prevê a construção de uma central reversível de armazenamento por bombagem, com instalações subterrâneas que dispensam a expansão dos reservatórios existentes. A obra pretende aumentar a eficiência na produção de energia renovável.
Dos 650 milhões de euros, cerca de 470 milhões vão para seis projeto elétricos, incluindo redes inteligentes. Depois, mais de 176 milhões destinam-se a oito projetos de hidrogénio, uma aposta que a Comissão apresenta como sinal da “crescente maturidade do setor”.
“Uma União da Energia forte e independente, que forneça energia limpa e barata aos consumidores, deve assentar em infraestruturas energéticas integradas e seguras”, defendeu em comunicado o comissário europeu para a Energia. Dan Jorgensen salientou ainda: “Os projetos que estamos a apoiar financeiramente irão reforçar a competitividade e a segurança energética da Europa, colocando-nos num caminho estável rumo à independência”.
Pela primeira vez, Bruxelas vai usar o Mecanismo Interligar a Europa (CEF, na sigla inglesa) para financiar a proteção de infraestruturas energéticas críticas. Quase 113 milhões de euros irão reforçar a segurança física e cibernética de instalações na Polónia, Estónia, Letónia e Lituânia, no âmbito da chamada Sincronização do Báltico.
Outro projeto com financiamento significativo é a modernização das instalações de Cierný Váh, na Eslováquia, que vai receber 63 milhões de euros. A central será uma das primeiras na Europa a combinar armazenamento hidráulico com baterias a grande escala. Também um projeto de redes inteligentes entre a Bulgária e a Roménia vai ter 104 milhões atribuídos para obras de modernização e digitalização.
No setor do hidrogénio, destaca-se o financiamento de 120 milhões ao projeto de armazenamento de Gronau, na Alemanha. Será a primeira vez que o CEF apoia obras relacionadas com hidrogénio. A instalação pretende criar o primeiro armazenamento subterrâneo transfronteiriço de hidrogénio em grande escala no noroeste da Europa.
Os projetos selecionados já tinham obtido o estatuto de Projetos de Interesse Comum ou de Interesse Mútuo em 2024, ao abrigo das Redes Transeuropeias de Energia. O financiamento foi aprovado pelo Comité de Coordenação do CEF a 15 de janeiro, mas a decisão formal só deverá ser adotada nas próximas semanas. A Agência Executiva Europeia para o Clima, Infraestruturas e Ambiente (CINEA, na sigla inglesa) preparará depois os acordos com os beneficiários.
O próximo concurso do CEF para infraestruturas energéticas está previsto para o segundo trimestre deste ano.
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