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Associação espanhola de centros de dados antecipa que novas regras vão comprometer quase 90% dos novos projetos

Governo quer renováveis a representar pelo menos 80% do consumo de energia dos centros de dados. Projeto está em consulta pública.

31 Ago 2026 - 17:31

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Foto: Magnific

Foto: Magnific

A SpainDC, associação espanhola de centros de dados, critica o Decreto Real através do qual o Governo pretende regulamentar os requisitos de sustentabilidade energética e ambiental, resiliência e soberania digital aplicáveis ao setor.

A associação considera que, se o documento que está atualmente em consulta pública for aprovado, poderá comprometer entre 80% e 90% dos novos investimentos em centros de dados previstos para Espanha, revela o jornal El Economista.

As últimas estimativas da SpainDC apontam para um investimento direto e indireto acumulado no país, entre 2026 e 2030, na ordem dos66,9 mil milhões de euros. Porém, num cenário mais restritivo, esse valor poderá cair 36%. Ainda assim, a associação estima que estas previsões poderão ficar aquém do esperado, tendo em conta a rigidez dos requisitos previstos na regulamentação proposta. A associação teme, por isso, que até 60 mil milhões de euros de investimentos planeados possam desaparecer ou ser transferidos para mercados menos restritivos, segundo o jornal.

Segundo o Ministério da Transição Ecológica e do Desafio Demográfico (MITECO), o projeto de decreto real, que está em consulta pública até 4 de setembro, pretende que os centros de dados a instalar em Espanha “cumpram os mais exigentes padrões europeus de eficiência hídrica e energética e que 80% do seu consumo de energia seja assegurado, a cada hora de funcionamento, por produção de energia renovável”.

Pretendem ainda que estes sejam “geridos por uma entidade estabelecida na UE, que manterá os dados relativos ao funcionamento do centro de dados no território da União Europeia e adotará medidas para impedir o acesso por parte de autoridades de países terceiros não abrangidos pela legislação europeia”, segundo o MITECO.

Segundo o El Economista, a associação irá apresentar objeções a este decreto real e exigir alterações substanciais antes da aprovação final. Embora partilhe os objetivos do Governo em matéria de sustentabilidade, eficiência e soberania digital, alerta que a acumulação de requisitos e os prazos previstos poderão comprometer projetos já em fase avançada e reduzir a competitividade de Espanha face a outros mercados europeus.

A SpainDC argumenta que o novo quadro regulamentar tornaria Espanha num dos países da União Europeia com regras mais restritivas para este tipo de infraestrutura. A organização destaca, em particular, a aplicação das novas regras a projetos iniciados ao abrigo do regime anterior, alguns dos quais estão em desenvolvimento há vários anos e já assumiram compromissos relativos a terrenos, financiamento, equipamentos, contratos de energia e construção.

Por seu lado, o Governo espanhol frisa que as regulamentações propostas incluem medidas sobre resiliência e soberania digital, como a obrigação de que o funcionamento do centro e o controle dos dados associados à operação sejam realizados por entidades sujeitas à legislação da UE, bem como sobre sustentabilidade ambiental e energética, como a obrigação de consumir energia renovável recém-implementada, além de cumprir os critérios de eficiência energética e consumo de água. “O Governo espanhol volta a ser pioneiro, antecipando medidas que estão a ser debatidas a nível europeu e que a Espanha irá liderar a partir desta posição de vanguarda”, sublinha o MITECO.

Destaca ainda que o futuro decreto real dá cumprimento a um dos mandatos previstos no Plano Abrangente de Resposta à Crise no Médio Oriente: alinhar a instalação de centros de dados com uma expansão proporcional da nova capacidade de produção de energia renovável, de forma a evitar um duplo impacto negativo.

Isto porque, defende o ministério, um aumento da procura de eletricidade poderá conduzir a uma maior utilização de gás natural para a produção de eletricidade, caso as energias renováveis não cresçam de forma proporcional, com o consequente aumento dos custos da eletricidade para todos os consumidores e, por essa via, uma redução do incentivo à eletrificação.

Para garantir a contribuição dos centros de dados para a resiliência e a soberania digital da economia espanhola e europeia, o decreto proposto exige que o operador da infraestrutura esteja estabelecido na UE, que os dados, metadados e registos que processa no âmbito do funcionamento do centro permaneçam em território da UE e que o acesso a partir de países terceiros seja efetivamente controlado.

A Estratégia de Inteligência Artificial de Espanha prevê cerca de 2,5 GW de capacidade computacional até 2030, o que exigirá uma procura de eletricidade entre 3,5 GW e 4 GW.

No entanto, os pedidos e as licenças concedidas para este tipo de instalações “ultrapassam largamente esta meta, devido à localização geográfica estratégica do país, ao seu clima e à liderança em energias renováveis”, destaca o MITECO. Desde 2021, já foram concedidos mais de 12 GW de direitos de acesso e ligação à rede elétrica.

 

 

 

 

 

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