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IA, refrigeração portátil e jardins de chuva: como o Japão se prepara para as alterações climáticas
Tóquio está a apostar em inteligência artificial para antecipar inundações, sistemas móveis de refrigeração para responder a ondas de calor e jardins de chuva para reduzir o risco de cheias.
23 Ago 2026 - 15:32
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Dispositivo para recolha de chuvas | Foto: Japan Connect
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Dispositivo para recolha de chuvas | Foto: Japan Connect
O Japão está a desenvolver várias soluções para adaptar as cidades aos efeitos das alterações climáticas, desde plataformas de inteligência artificial (IA) que permitem antecipar riscos de inundações, passando por sistemas de refrigeração portáteis que podem ser utilizados em situações de emergência, a jardins de chuva destinados a reduzir a acumulação de água.
As iniciativas estão a ser implementadas em Tóquio, uma das cidades mais densamente povoadas do mundo, com mais de 14 milhões de habitantes.
Mais especificamente, a plataforma baseada em IA e na cloud, capaz de visualizar riscos meteorológicos e de inundação, foi desenvolvida pela startup Sakigake Japan. A ferramenta permite estimar o risco de inundação de zonas específicas e apoiar a tomada antecipada de medidas de prevenção e planeamento.
A tecnologia procura responder, em particular, às chamadas chuvas intensas e localizadas que podem sobrecarregar rapidamente as infraestruturas urbanas de Tóquio.
A mesma empresa, segundo a plataforma de comunicação da AFP, Japan Connect, está também a apostar em soluções móveis de cadeia de frio. As unidades de refrigeração portáteis são utilizadas normalmente em eventos e operações logísticas, mas podem ser transferidas para situações de emergência, nomeadamente para conservar alimentos, bebidas e medicamentos durante evacuações.
Uma das vantagens é poderem funcionar sem ligação à rede elétrica, sendo que a solução ganha importância perante o aumento das temperaturas.
Já em Setagaya, uma zona residencial de Tóquio, estão a ser desenvolvidos os chamados jardins de chuva. Trata-se de pequenos contentores verdes instaladas junto às habitações, que recolhem a água da chuva proveniente de telhados, retêm-na temporariamente e permitem a sua infiltração gradual no solo. O objetivo é reduzir a quantidade de água que chega rapidamente aos sistemas de drenagem e, consequentemente, diminuir o risco de inundações urbanas.
A água pode ainda ser armazenada em depósitos para posterior utilização. A iniciativa pretende que estes jardins possam ser construídos facilmente pelas próprias famílias, recorrendo a materiais disponíveis em lojas de bricolage e a diferentes espécies de plantas que também criem habitats para a fauna local.
A ideia é descentralizar parte da resposta às chuvas intensas. Ou seja, em vez de se depender exclusivamente de grandes obras públicas, cada habitação pode contribuir para aumentar a capacidade de retenção de água da comunidade.

Foto: Japan Connect
A adaptação ao calor está também a passar pela inovação nos materiais. A startup Eztia Materials, finalista do concurso de pitch do SusHi Tech Tokyo 2026, desenvolveu o HydraVolt, um material concebido para ajudar a arrefecer pessoas expostas a temperaturas elevadas.
O material pode ser impresso ou cosido em peças de vestuário e utiliza o arrefecimento por evaporação para reduzir a temperatura da pele em até 10 °C, durante um máximo de oito horas, sem recurso a eletricidade ou baterias. Para ser reutilizado, basta voltar a expô-lo à água, podendo depois ser lavado como uma peça de roupa convencional.
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