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Calor extremo transforma quotidiano na “cidade mais quente da Europa”
O recorde de 48,8 graus, registado em agosto de 2021, em Floridia, na Sicília, transformou a cidade num símbolo do aquecimento climático na Europa.
22 Ago 2026 - 14:35
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Em Floridia, na Sicília, os verões cada vez mais quentes estão a deixar ruas e praças vazias, a limitar a vida ao ar livre e a ameaçar atividades como a apicultura.
Cinco anos depois de ter registado 48,8 °C, a temperatura mais elevada alguma vez registada na Europa continental, Floridia sente cada vez mais os efeitos do aquecimento do clima. As ondas de calor prolongadas estão a obrigar os habitantes a permanecer em casa, a reduzir a interação social e a afetar atividades económicas locais.
Uma reportagem da agência Reuters indica que a mudança é visível por toda a cidade de 20 mil habitantes. A Piazza del Popolo, durante muito tempo o centro da vida social da cidade, onde existem cafés, palmeiras e edifícios municipais, está praticamente vazia durante grande parte do dia no verão.
O calor prolonga-se até bem depois do anoitecer, perturbando uma tradição local muito apreciada, conhecida como ‘pigghiari u frescu’, ou sejam quando as famílias levam as cadeiras da cozinha para o exterior das suas casas para aproveitar a brisa e conviver.
“É horrível porque muitas pessoas acabam fechadas dentro de casa. De certa forma, estamos todos a viver uma espécie de novo confinamento”, disse à Reuters Serena Spada, vereadora da Cultura de Floridia.
“Até as pessoas com crianças pequenas se encontram nesta situação. As crianças não podem ir ao parque nem brincar na rua porque, até ao final da tarde, as temperaturas são realmente hostis”, acrescentou.
No dia 11 de agosto de 2021, o Serviço de Informação Agrometeorológica da Sicília mediu uma temperatura de 48,8 °C em Monasteri, uma zona rural situada a cerca de cinco quilómetros do centro de Floridia. Em 2024, a Organização Meteorológica Mundial certificou-a como a temperatura mais elevada alguma vez registada na Europa continental, um recorde que ainda se mantém.
Muitos habitantes partiram do princípio de que o recorde seria um acontecimento isolado. Em vez disso, os verões quentes tornaram-se a norma. “Acabou por ser um sinal de alerta muito triste”, afirmou Spada à Reuters.
Já em 2026, os dados do Reuters Climate Monitor mostram que Floridia atingiu 33,3 °C no dia 12 de agosto, mais 4,1 °C do que a média do período de referência histórico de 1961-1990.
“É realmente o aumento das temperaturas médias que nos preocupa”, afirmou Luigi Pasotti, diretor do Serviço de Informação Agrometeorológica da Sicília. “Já não estamos a falar de picos extremos de temperatura que duram um ou dois dias, como aconteceu em 2021. Estamos a falar de semanas inteiras, e até meses, durante os quais as temperaturas permanecem consistentemente elevadas”, acrescentou.
As temperaturas noturnas também estão a subir, deixando pouco alívio face ao calor durante o dia.
“Este ano, em particular, estamos a registar números excecionalmente elevados de noites tropicais em algumas zonas da Sicília, bem como noites supertropicais”, referiu Pasotti.
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