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Calor recorde na Europa Ocidental agrava incêndios e aumenta temperatura dos oceanos
Novos dados do serviço Copernicus mostram que o período de junho e julho foi o mais quente de sempre na Europa Ocidental, enquanto a temperatura da superfície dos oceanos atingiu um novo máximo para julho.
10 Ago 2026 - 14:08
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Foto: Freepik
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O mês de julho ficou marcado por temperaturas excecionalmente elevadas e condições de seca persistentes na Europa Ocidental, contribuindo para a propagação e intensificação dos incêndios florestais na região. Ao mesmo tempo, a temperatura da superfície dos oceanos fora das regiões polares atingiu o valor mais elevado de sempre para um mês de julho, segundo divulga nesta segunda-feira o Serviço de Alterações Climáticas do Copernicus (C3S).
No continente europeu, o calor foi particularmente intenso na parte ocidental. França, Espanha, Inglaterra e Irlanda registaram temperaturas muito acima da média, tendo provocado incêndios devastadores sobretudo em França e Espanha.
O calor foi acompanhado por uma persistência e intensificação da seca. Partes da Península Ibérica, França, Alemanha, Áustria e Hungria registaram condições mais secas do que o normal, enquanto o Reino Unido, Irlanda, parte da Islândia e os países do Benelux também enfrentaram condições excecionalmente secas.
Em França, Espanha, partes da Alemanha e no Reino Unido foram registados défices excecionais ou recorde de precipitação e/ou humidade do solo.
Já grande parte da Europa de leste e da Escandinávia teve temperaturas inferiores às habituais. Mas apesar de, no conjunto, a temperatura média da Europa ter ficado em 20,49°C, o que corresponde ao 11.º valor mais elevado para julho, a situação na Europa Ocidental foi muito mais extrema. O período de junho e julho foi o mais quente de sempre naquela região, com uma temperatura média de 21,62°C, ou seja, 2,79°C acima da média de referência, segundo o Copernicus.

Imagem: Copernicus
Julho ficou ainda marcado por registar a terceira e quarta ondas de calor na Europa Ocidental desde maio, numa sequência considerada “excecional” pelo Copernicus.
Também a temperatura média da superfície dos oceanos entre os 60 graus de latitude norte e sul foi mais elevada, atingindo 20,96°C em julho e ultrapassando o anterior recorde de 20,89°C, registado em julho de 2023.
A nível global, julho foi empatado como o segundo julho mais quente desde o início dos registos, juntamente com julho de 2024 e atrás do recorde estabelecido em 2023.
A temperatura média do ar à superfície foi de 16,90°C, ficando 0,67°C acima da média de julho para o período 1991-2020 e 1,47°C acima da estimativa para o período pré-industrial (1850-1900).
Temperatura marítima elevada
As temperaturas do mar mantiveram-se particularmente elevadas no Pacífico tropical, onde as condições associadas ao fenómeno El Niño deverão intensificar-se nos próximos meses, ressalta o serviço europeu.
Nas zonas próximas da Europa, foram registadas temperaturas recorde da superfície do Atlântico e do Mediterrâneo ocidental, associadas a ondas de calor marinhas fortes ou severas, com impactos nas comunidades costeiras e nos ecossistemas.
Na Europa, os efeitos da seca também se fizeram sentir nos rios. Os caudais do Sena, Reno e Danúbio ficaram muito abaixo da média, em alguns casos em níveis excecionalmente baixos, aumentando a pressão sobre o abastecimento de água, a agricultura, os ecossistemas aquáticos, o transporte fluvial e a produção de energia.
Quanto ao gelo marinho, a extensão do gelo no Ártico foi a sexta mais baixa para um mês de julho, enquanto a Antártida registou a quinta menor extensão de gelo para o mês.
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