Subscrever Newsletter - Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa na transição verde.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa na transição verde.

Submeter

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade

4 min leitura

Europa viveu terceiro verão mais quente de sempre marcado por ondas de calor e seca

Em 2026, houve 17 dias em que pelo menos 60% da Europa Ocidental registou temperaturas superiores a 30 graus Celsius. Em Portugal, região de Lisboa e Setúbal e o interior norte, junto à fronteira, destacam-se com as temperaturas mais altas.

02 Out 2026 - 16:30

4 min leitura

Foto Magnific

Autor

Maria Almendra Carvalho

Jornalista estagiária

Partilhar

Sunset over a flat landscape with silhouetted trees against an orange sky.

Foto Magnific

A Europa viveu este ano o terceiro verão mais quente de que há registo, com a Europa Ocidental a atingir um novo recorde de temperatura. O período entre junho e agosto ficou ainda marcado por níveis elevados de stress térmico, seca e caudais mínimos nos principais rios europeus, segundo dados divulgados pelo Serviço de Monitorização da Atmosfera do Copernicus.

A temperatura média na Europa Ocidental chegou aos 21,7 graus Celsius durante o verão, 2,5 graus acima da média registada entre 1991 e 2020, ultrapassando o anterior recorde, estabelecido em 2003.

Segundo os novos dados da Copernicus, o calor intenso começou ainda antes do verão, com uma onda de calor a atingir grande parte da Europa Ocidental no final de maio. As temperaturas excecionalmente elevadas prolongaram-se durante a estação e voltaram a ser registados valores recorde em setembro.

Dados: C3S

Em 2026, houve 17 dias em que pelo menos 60% da Europa Ocidental registou temperaturas superiores a 30 graus Celsius. Em 2003 esse valor tinha sido de 11 dias e em 2025 de sete.

O relatório mostra ainda que, até ao final do verão, 52% da Europa esteve exposta a níveis de stress térmico pelo menos “muito fortes”, correspondentes a temperaturas sentidas de 38 graus Celsius ou superiores.

Na Europa Ocidental, foram registados 41 dias de stress térmico “forte”, mais cinco do que em 2003. Este território registou ainda 13 dias de stress térmico “muito forte”, mais do que em qualquer outro ano.

As condições secas e as sucessivas ondas de calor contribuíram para uma época de incêndios particularmente intensa. Até 2 de setembro, a área ardida na União Europeia era quase o dobro da média registada entre 2006 e 2025 para o mesmo período, segundo o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais.

Portugal também não escapou ao calor que marcou o verão de 2026 na Europa. Segundo os dados, grande parte do território continental teve entre junho e agosto um verão mais quente do que 90% dos verões do período 1991-2020. A região de Lisboa e Setúbal e o interior norte, principalmente junto à fronteira, destacam-se com o verão mais quente dos anos em análise.

Espanha e França registaram uma atividade particularmente elevada. Os incêndios contribuíram ainda para que as emissões provenientes de fogos florestais na Europa estivessem entre as 10 mais elevadas desde 2003, de acordo com o Serviço de Monitorização da Atmosfera.

“A Europa viveu um verão de extremos climáticos combinados em 2026. Stress térmico recorde, condições de seca generalizadas, caudais dos rios excecionalmente baixos e temperaturas do mar invulgarmente elevadas ocorreram em simultâneo em grande parte do continente”, explica Samantha Burgess, responsável estratégica pelo clima no Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo.

“As consequências foram muito além dos recordes de temperatura, afetando a disponibilidade de água, os sistemas energéticos, os transportes, os ecossistemas e a saúde humana. À medida que o clima continua a aquecer, fenómenos como estes evidenciam a importância de reforçar a resiliência face a riscos climáticos cada vez mais interligados”, acrescenta a responsável. 

Rios mais baixos e mares mais quentes

A seca prolongada afetou também os rios europeus, segundo o Copernicus. O verão de 2026 foi o período com os caudais mais baixos de que há registo no continente desde o início dos dados do Sistema Europeu de Sensibilização para as Inundações, em 1992.

Em julho e agosto, rios como o Reno, o Danúbio, o Pó, o Loire, o Ródano e o Sena registaram caudais mínimos recorde ou próximos de recorde.

Os níveis reduzidos de água afetaram o transporte de mercadorias e as cadeias de abastecimento e aumentaram a pressão sobre a irrigação, o arrefecimento de reatores nucleares, a produção de energia hidroelétrica e a disponibilidade de água doce.

As temperaturas da superfície do mar atingiram igualmente valores recorde ou próximos de recorde em grande parte da costa atlântica e no Mediterrâneo Ocidental e Central.

As águas mais quentes estiveram associadas a ondas de calor marinhas fortes a excecionais, que podem contribuir para temperaturas mais elevadas nas zonas costeiras ao limitar o arrefecimento durante a noite e aumentar a humidade.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa na transição verde.

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade