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Temperatura dos oceanos bate recorde histórico ao alcançar os 21,1ºC

Segundo a Copernicus, o recorde deve-se não só ao “aquecimento contínuo e de longo prazo dos oceanos a nível global”, mas também ao surgimento de um fenómeno extremo de El Niño no Pacífico tropical.

24 Ago 2026 - 17:36

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Foto: Magnific

Foto: Magnific

A temperatura média da superfície dos oceanos atingiu um novo recorde mundial, com 21,1 °C registados neste sábado, 22 de agosto, ultrapassando o anterior máximo de 21,09 °C, registado em março de 2024, anunciou o observatório europeu Copernicus.

De acordo com a organização, o recorde deve-se não só ao “aquecimento contínuo e de longo prazo dos oceanos a nível global”, mas também ao surgimento de um fenómeno extremo de El Niño no Pacífico tropical.

Este forte episódio de El Niño deverá intensificar-se nos próximos meses, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM). As previsões sazonais do Copernicus apontam para a possibilidade de o fenómeno atingir níveis não observados há várias décadas.

“Este recorde é mais um sinal claro de um oceano sob uma pressão crescente. O El Niño está a acrescentar calor ao sistema, mas fá-lo sobre décadas de aquecimento provocado pela atividade humana”, afirma Samantha Burgess, responsável estratégica pelo Clima no Centro Europeu de Previsão Meteorológica a Médio Prazo (ECMWF na sigla original), em comunicado. 

Para o Copernicus, o momento em que este recorde foi atingido “é particularmente relevante”, uma vez que as temperaturas globais dos oceanos atingem normalmente os valores mais elevados em março e abril, após o verão austral. No entanto, este recorde foi registado em agosto.

A temperatura registada neste sábado ultrapassa também o anterior valor máximo para o mês de agosto, registado em 2023, de 20,98 °C. Este novo recorde diário surge na sequência de uma sucessão de recordes mensais e valores próximos de recordes nas temperaturas da superfície do mar observados ao longo de 2026 nos oceanos extratropicais.

O Copernicus alerta ainda que a subida das temperaturas dos oceanos a longo prazo “tem consequências de grande alcance para as comunidades e os ecossistemas”, uma vez que um oceano mais quente contribui para a subida do nível do mar através da expansão térmica, aumentando os riscos para as comunidades costeiras e para os pequenos Estados insulares e nações insulares de baixa altitude. 

As temperaturas mais elevadas aumentam também a probabilidade e a intensidade das ondas de calor marinhas, que podem danificar ecossistemas fundamentais, como os recifes de coral e as pradarias marinhas, perturbando, por sua vez, as cadeias alimentares marinhas e setores como a pesca e a aquicultura.

“As consequências já são visíveis: o número de dias com ondas de calor marinhas a nível mundial mais do que triplicou desde o início da década de 1990, aumentando a pressão sobre os ecossistemas marinhos e sobre as comunidades que deles dependem”, acrescenta Samantha Burgess.

As temperaturas mais elevadas dos oceanos aumentam simultaneamente o potencial para fenómenos meteorológicos extremos. “Um oceano mais quente transfere mais calor e humidade para a atmosfera, podendo intensificar a precipitação e alguns sistemas de tempestades”, lê-se na nota de imprensa. 

Além disso, um oceano mais quente torna-se menos eficiente na absorção de dióxido de carbono da atmosfera, podendo enfraquecer um dos mais importantes mecanismos naturais de proteção do planeta contra as alterações climáticas, explica a organização.

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