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DBRS diz que Portugal é um dos países mais expostos aos danos dos incêndios e às perdas de produtividade resultantes do calor
O nosso país lidera a lista dos países com maiores danos médios esperados nas propriedades causados por incêndios até 2050
24 Ago 2026 - 14:34
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Foto: Magnific
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A agência de rating MorningStar/DBRS divulgou nesta segunda-feira um comentário sobre “O verão de 2026: ondas de calor, incêndios florestais e secas — os eventos climáticos extremos que se estão a acumular”. Portugal aparece como “um dos países europeus mais expostos tanto aos danos físicos diretos provocados pelos incêndios florestais como às perdas indiretas de produtividade resultantes das ondas de calor”.
A DBRS apresentou, no início deste ano, o conjunto de dados Hazard Exposure Analytics and Trends (HEAT) (Climate Risk Navigator – Physical Climate Risk Signals in Credit: Longitude, Latitude, and Exposure), que mostra como o risco climático físico varia em função da localização, das regiões e dos horizontes temporais. Neste comentário, é analisada a intensidade das recentes ondas de calor e secas, os seus potenciais impactos económicos e a forma como a acumulação de riscos exige um reforço da adaptação às alterações climáticas.
É segundo aqueles dados que, de acordo com as perdas médias anuais de produtividade esperadas na indústria provocadas pelas ondas de calor, no cenário climático SSP2-4.5 para 2050, Portugal aparece em 3.º lugar no Top 30 dos países europeus afetados pelas ondas de calor. Malta lidera a lista, seguida de Andorra.
A DBRS utiliza a base de dados HEAT, que inclui riscos “acumulados”, para além de riscos isolados, tanto de ocorrência aguda como de evolução lenta, que podem provocar danos em propriedades: inundações fluviais, inundações pluviais, subida do nível do mar, ventos extremos, incêndios florestais, deslizamentos de terras, ciclones e furacões.
Aquele “conjunto de dados inclui também as ondas de calor enquanto risco, embora não exista uma relação direta entre as ondas de calor e os danos nas propriedades”.
“O conjunto de dados HEAT estima tanto os danos esperados nos ativos como os danos associados a riscos extremos (tail risk) — expressos como percentagem dos edifícios destruídos — para vários riscos meteorológicos e climáticos (com exceção das ondas de calor), tendo em conta vários cenários de alterações climáticas e quatro horizontes temporais”, refere a DBRS.
A base de dados avalia igualmente o impacto das ondas de calor na produtividade, medido através da proporção das receitas de setores com elevada intensidade de trabalho manual expostos a perdas de produtividade provocadas por temperaturas e níveis de humidade elevados.
“O verão de 2026 demonstra como os fenómenos meteorológicos extremos podem acumular-se, causar danos e perturbar a atividade económica. Além disso, após as ondas de calor e os incêndios florestais, as secas podem aumentar o risco de inundações repentinas, uma vez que o solo fica mais endurecido”, refere a DBRS.
A agência de rating refere ainda que “o impacto adverso das secas no crescimento económico pode ser superior ao de outros riscos. Na Europa, a seca severa está a afetar o setor agrícola, o transporte fluvial e a produção de energia”.
“A longo prazo, o impacto económico dos riscos climáticos físicos dependerá, em grande medida, dos esforços de adaptação e da evolução das alterações climáticas e dos padrões meteorológicos”, adianta aquele relatório.
“À medida que os riscos climáticos se acumulam e as secas se tornam mais frequentes e dispendiosas, é crucial avaliar os seus diferentes efeitos económicos. A adaptação às alterações climáticas e a preparação terão de acompanhar a intensidade e a frequência dos riscos climáticos”, afirmou Adriana Alvarado, vice-presidente sénior do Global Sovereign Ratings Group.
“No que diz respeito às implicações para o crédito, avaliamos, relativamente aos governos a vários níveis, se as alterações climáticas e os fenómenos meteorológicos adversos poderão potencialmente destruir uma parte material da riqueza nacional, enfraquecer o sistema financeiro ou perturbar a economia”, acrescentou aquela responsável.
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