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Moçambique vai ter nova central solar através de parceria público-privada

O projeto solar, de 59,5 milhões de euros e 45 MegaWatts, encontra-se em consulta pública no âmbito do processo de licenciamento ambiental e do respetivo Estudo de Impacto Ambiental.

24 Ago 2026 - 12:38

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Riverstart Solar Park | Foto: EDP

Riverstart Solar Park | Foto: EDP

Um projeto público-privado prevê desenvolver uma nova central solar fotovoltaica no distrito de Nhamatanda, província de Sofala, centro de Moçambique, que vai ocupar 160 hectares e contribuir para a meta de cobertura total de eletricidade no país.

O projeto, de 69 milhões de dólares (59,5 milhões de euros) e 45 MegaWatts (MW), encontra-se em consulta pública no âmbito do processo de licenciamento ambiental e do respetivo Estudo de Impacto Ambiental (EIA), conforme documentação a que a Lusa teve acesso, com auscultação local, na sede do Posto Administrativo de Tica, agendada para terça-feira.

A Central Solar de Nhamatanda, a instalar na localidade de Lamego, resulta da cooperação entre a estatal Eletricidade de Moçambique (EDM) e a empresa privada VBC, visando a produção de energia elétrica a partir de fonte solar para reforço da capacidade da rede pública nacional.

Ainda de acordo com o Resumo Não Técnico submetido para consulta pública, a central será instalada numa área de aproximadamente 160 hectares e incluirá duas linhas de transmissão de 110 kV, com cerca de 11,9 quilómetros, para ligação à Subestação de Lamego e posterior injeção da energia produzida na Rede Elétrica Nacional (REN).

O empreendimento integra o programa Energia para Todos, coordenado pelo Ministério dos Recursos Minerais e Energia, e enquadra-se na meta governamental de expansão da produção a partir de fontes renováveis e de acesso universal à eletricidade em Moçambique até 2030.

O estudo ambiental identifica potenciais impactos sobre áreas agrícolas, atividades económicas, ocupação da terra e locais de importância cultural, prevendo por isso a elaboração de um Plano de Reassentamento e de um Plano de Restauração dos Meios de Subsistência para as famílias afetadas.

A iniciativa surge numa altura em que Moçambique procura acelerar a expansão do acesso à energia, com dados do Governo a indicarem que o país realizou mais de 75 mil novas ligações elétricas no primeiro trimestre de 2026, das quais 44.743 através da Rede Elétrica Nacional e 30.668 por sistemas autónomos alimentados por centrais solares e mini-hídricas.

Em junho, Moçambique lançou um concurso para a instalação de uma outra central solar, de 30 MegaWatts, no Dondo, também em Sofala, retomando o Programa de Promoção de Leilões de Energias Renováveis (Proler), desenvolvido com a União Europeia.

De acordo com um concurso lançado então pelo Ministério dos Recursos Minerais e Energia, o objetivo é dar “prioridade a procedimentos de concurso competitivos e transparentes para a seleção de investidores privados com capacidade técnica e financeira adequada e interesse no desenvolvimento de projetos de geração de energia renovável, conduzindo à escolha de soluções de menor custo para os consumidores”.

O presidente do conselho de administração da EDM, Joaquim Ou-chim, afirmou anteriormente à Lusa que a empresa estatal prevê investir 82 milhões de dólares em 2026, dos quais cerca de 70 milhões provenientes do Projeto ProEnergia, financiado pelo Banco Mundial, e 12 milhões assegurados pela própria empresa pública.

“Este esforço enquadra-se no compromisso estratégico de alcançar 100% de acesso à energia elétrica até 2030, através da expansão da Rede Elétrica Nacional, da implementação de soluções fora da rede e do reforço da infraestrutura existente, assegurando maior inclusão energética”, disse Joaquim Ou-chim.

Segundo o responsável, a elétrica estatal pretende efetuar pelo menos 420 mil novas ligações até ao final de 2026, beneficiando cerca de dois milhões de pessoas.

A EDM refere que a taxa de eletrificação nacional já atingiu 66,4% e que estão em execução programas de expansão da rede e de soluções fora da rede para acelerar a cobertura energética.

Agência Lusa

Editado por Jornal PT Green

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