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Ondas de calor marinhas podem ser prejudiciais para a saúde humana
Investigadores defendem que estes fenómenos devem passar a ser considerados uma questão de saúde pública. Ondas de calor marinhas podem ainda ter fortes impactos na saúde mental, incluindo “eco-ansiedade”, luto, frustração e depressão.
23 Ago 2026 - 10:44
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As ondas de calor marinhas, fenómenos cada vez mais frequentes, intensos e prolongados devido ao aquecimento global, podem ter impactos significativos na saúde física e mental das populações, além dos efeitos nos ecossistemas, alerta um estudo publicado na revista científica Nature Sustainability.
O estudo, desenvolvido por investigadores da Universidade de Adelaide, na Austrália, e da Universidade de Hong Kong, na China, defende que estes fenómenos devem passar a ser considerados uma questão de saúde pública.
A investigação aponta ainda que estes fenómenos podem contribuir para o agravamento de tempestades e ondas de calor atmosféricas, afetar a disponibilidade e segurança dos alimentos provenientes do mar e, consequentemente, perturbar meios de subsistência.
De acordo com o estudo, as consequências podem fazer-se sentir mesmo depois de terminada uma onda de calor marinha. A redução das populações de peixes e da produção de produtos do mar pode colocar em risco a segurança alimentar de milhares de milhões de pessoas que dependem do oceano como fonte de alimentação.
As temperaturas elevadas da água podem também favorecer a ocorrência de proliferações de algas nocivas, capazes de contaminar produtos do mar e representar riscos para a saúde de quem os consome ou entra em contacto com ambientes marinhos afetados.
Um dos exemplos apontados pelos investigadores é a proliferação de algas tóxicas registada na Austrália do Sul em 2025, que esteve associada a problemas físicos, como irritação respiratória e asma das comunidades costeiras, mas também a impactos na saúde mental, incluindo “eco-ansiedade”, luto, frustração e depressão.
Os efeitos psicológicos são particularmente relevantes para comunidades cuja alimentação, rendimento, tradições ou identidade cultural estão fortemente ligados ao oceano.
À medida que os ecossistemas marinhos se degradam, estas populações podem enfrentar não só perdas económicas, mas também “alterações profundas” nos ambientes de que dependem.
Além disso, o estudo recorda ainda que as ondas de calor marinhas já estão associadas a fenómenos como o branqueamento de corais, a morte em larga escala de organismos marinhos, proliferações de algas nocivas e perturbações na pesca e na aquacultura.
Perante o agravamento destes fenómenos, os investigadores defendem que os governos e as autoridades de saúde pública passem a integrar as ondas de calor marinhas no planeamento de saúde.
Entre as medidas propostas está a utilização de previsões destes fenómenos nos sistemas de planeamento e resposta a crises de saúde pública, bem como a consideração dos seus impactos na saúde humana nas decisões relacionadas com a gestão das zonas costeiras e marinhas.
“Reconhecer estes impactos na saúde é o primeiro passo para proteger melhor as comunidades”, considera a principal autora do estudo, Laura Falkenberg, da Universidade de Adelaide.
“Se apenas reagirmos depois de ocorrerem as catástrofes, continuaremos a enfrentar impactos maiores do que aqueles que teríamos se tivéssemos atuado de forma preventiva. Ao compreender as ligações entre a saúde dos oceanos e a saúde humana, podemos desenvolver políticas mais eficazes que protejam simultaneamente as pessoas e os ecossistemas marinhos dos quais dependem”, acrescenta a investigadora australiana.
Relembre-se que, no mês de junho, as águas do mar registaram as temperaturas à superfície mais elevadas de que há registo, segundo a World Weather Attribution (WWA).
Na Península Ibérica e no Golfo da Biscaia, as temperaturas da superfície do mar aumentaram 1,5 graus Celsius, enquanto a área afetada por ondas de calor marinhas passou de 40% num cenário 1,4 graus Celsius mais frio para cerca de 90% atualmente.
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