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Expansão solar na China já reduziu em 2,1% a biodiversidade das aves
Parques solares já ocupam cerca de 4.520 km² na China, onde a energia fotovoltaica poderá representar 45% do sistema energético em 2060. Investigadores pedem contabilização dos custos pela alteração dos ecossistemas.
21 Ago 2026 - 11:50
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Foto: Magnific
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A expansão da energia solar na China está associada a uma redução de 2,1% na biodiversidade das aves, conclui um estudo da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS, na sigla inglesa). A investigação, que analisou dados de 2.344 condados chineses entre 2014 e 2023, concluiu que políticas mais intensas de promoção da energia solar estão relacionadas com uma menor diversidade de aves, sobretudo devido à conversão de terrenos agrícolas e pastagens em áreas ocupadas por infraestruturas. Em 2024, as instalações fotovoltaicas já cobriam cerca de 4.520 km² no país.
A AAAS destaca que em bora a expansão das energias renováveis possa ajudar a combater as alterações climáticas, o desenvolvimento de grandes projetos solares pode criar um novo problema ambiental, ao converter ou fragmentar habitats e contribuir para a perda de biodiversidade.
“Como as aves são relativamente bem monitorizadas em grandes áreas e respondem de forma sensível a alterações na vegetação, nos habitats de reprodução e na disponibilidade de alimento, as mudanças na sua diversidade podem revelar impactos ecológicos que as medidas convencionais podem não detetar”, explicam os investigadores.
Neste estudo, Huiming Zhang e os seus colegas analisaram as consequências ecológicas da expansão da energia solar. Combinando dados de observações de aves, políticas relacionadas com a energia solar, condições ambientais e informação socioeconómica.
Esta abordagem permitiu aos investigadores avaliar a relação entre as políticas de promoção da energia solar e a diversidade local de aves. Os investigadores analisaram também os impactos das alterações no uso do solo, na vegetação e na produtividade agrícola.
Os resultados revelaram que políticas mais fortes de promoção da expansão solar estiveram associadas a “reduções significativas da diversidade de aves”.
Os efeitos foram mais fortes nas regiões mais ricas e nas zonas que não são desérticas, afetando de forma desproporcional espécies com uma distribuição geográfica ampla.
Segundo os investigadores, este fenómeno deveu-se sobretudo à rápida conversão dos terrenos, em particular à transformação de terrenos agrícolas e pastagens em áreas artificializadas, o que reduziu a diversidade da vegetação.
A equipa defende que o passo seguinte deve ser passar da simples medição da biodiversidade para a sua valorização económica e ecológica, estabelecendo uma relação entre as alterações na diversidade das aves, os serviços dos ecossistemas e os valores de conservação.
“Sem essa valorização, a análise das políticas atribui um peso insuficiente à conservação e as análises de custo-benefício podem subestimar o custo social do desenvolvimento”, refere Liang.
“Tal como a política climática necessita de estimativas credíveis dos danos causados pelas alterações climáticas para determinar o custo social do carbono, também são necessárias estimativas credíveis do valor da biodiversidade quando as políticas de desenvolvimento sustentável alteram os ecossistemas”, sustenta.
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