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Temperaturas da água do mar atingem níveis recorde na Europa em julho
Na Península Ibérica as temperaturas da superfície do mar aumentaram 1,5 graus Celsius, enquanto a área afetada por ondas de calor marinhas passou de 40% num cenário 1,4 graus Celsius mais frio para cerca de 90% atualmente, segundo a WWA.
19 Ago 2026 - 14:05
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As águas do mar registaram as temperaturas à superfície mais elevadas de que há registo em julho de 2026, de acordo com uma análise divulgada nesta quarta-feira pela World Weather Attribution (WWA).
Foram registadas temperaturas recorde da superfície do mar no Atlântico, ao longo da costa europeia, e no Mediterrâneo Ocidental. No Mediterrâneo as temperaturas chegaram a estar até 6 °C acima do normal.
Na Península Ibérica e no Golfo da Biscaia, as temperaturas da superfície do mar aumentaram 1,5 graus Celsius, enquanto a área afetada por ondas de calor marinhas passou de 40% num cenário 1,4 graus Celsius mais frio para cerca de 90% atualmente.
De acordo com a organização, estas “temperaturas extremamente elevadas da superfície do mar” tiveram fortes impactos nos ecossistemas marinhos. No Reino Unido, os pescadores têm reportado um aumento da presença de polvos nas suas águas, com os números registados desde abril de 2026 a causarem particular preocupação.
O aumento das temperaturas está a alterar as condições dos ecossistemas marinhos e a pressionar espécies adaptadas a temperaturas históricas. Segundo a análise, estas ondas de calor marinhas podem provocar episódios de mortalidade em massa de espécies que desempenham um papel estrutural nos habitats, como corais, esponjas e macroalgas.
Assim, a organização alerta que a perda destas espécies pode desencadear efeitos em cadeia sobre todo o ecossistema, afetando invertebrados, peixes, aves marinhas e mamíferos.
O aquecimento está também a alterar a distribuição geográfica das espécies, levando alguns organismos a deslocarem-se para norte, em direção a águas mais frias. Estas mudanças podem ter consequências para as pescas, a aquacultura e a disponibilidade de espécies destinadas ao consumo humano.
“À medida que as pessoas recorrem cada vez mais às praias para se refrescarem durante as ondas de calor em terra, as alterações nas condições marinhas podem também ter implicações para a saúde humana”, alerta a WWA.
A organização sublinha ainda que o aquecimento dos mares não tem apenas consequências para a vida marinha, uma vez que mares mais quentes contribuem para temperaturas do ar mais elevadas e para uma maior humidade nas regiões costeiras, agravando o stress térmico, sobretudo durante a noite.
A maior evaporação associada às temperaturas elevadas do oceano pode também aumentar a quantidade de humidade na atmosfera, contribuindo posteriormente para episódios de precipitação intensa.
Segundo a World Weather Attribution, prevê-se que, num mundo 2,8 graus Celsius mais quente do que no período pré-industrial, os fenómenos extremos observados em 2026 poderão tornar-se até 1,9 graus Celsius mais quentes.
Neste sentido, a organização considera que, embora medidas de adaptação, como a proteção de habitats, a alteração da gestão das pescas e da aquacultura e o reforço dos sistemas de monitorização possam aumentar a resiliência dos mares, não são suficientes para compensar os efeitos do aquecimento contínuo dos oceanos.
Assim, apontam soluções como a redução das emissões de gases com efeito de estufa e a aposta numa “transição rápida para longe dos combustíveis fósseis” como “essenciais” para limitar os impactos não só nos ecossistemas marinhos, mas também nas pescas, na produção alimentar e nas comunidades costeiras.
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