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Portugal entre os países atingidos por onda de calor que já bate recordes pela Europa
Onda de calor deverá elevar as temperaturas até 10 °C acima da média para a época, segundo a Organização Meteorológica Mundial. Alguns países, como França, Espanha, Reino Unido, Suíça e Países Baixos já registaram máximos históricos no mês de junho.
26 Jun 2026 - 15:41
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Portugal está entre os países europeus afetados pela onda de calor intensa que deverá elevar as temperaturas até 10 °C acima da média para a época, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM). O fenómeno, que abrange grande parte da Europa, deverá trazer máximas acima dos 35 °C e noites tropicais em várias regiões.
Alguns países, como França, Espanha, Reino Unido, Suíça e Países Baixos, já registaram máximos históricos no mês de junho. A organização alerta para os riscos para a saúde, incêndios florestais e impactos económicos.
A onda de calor deverá espalhar-se por grande parte da Europa Ocidental, Central e Meridional nas próximas duas semanas, segundo um dos centros regionais europeus de monitorização climática da OMM, liderado pelo serviço meteorológico alemão Deutscher Wetterdienst (DWD).
Segundo com as previsões atuais da OMM, o epicentro do calor deverá deslocar-se progressivamente para a região dos Balcãs.
Nesta quinta-feira (24), França registou o dia mais quente de sempre no mês de junho, com uma temperatura média nacional de 30 °C, superando recordes anteriores de 2019. No oeste do país, os termómetros chegaram aos 43,8 °C, enquanto as temperaturas mínimas noturnas atingiram valores históricos, com uma média de 22 °C.
Já em Espanha, foram registadas as temperaturas diárias mais quentes de junho de sempre, nos dias 23 e 24, com várias localidades acima dos 40 °C e um máximo de 42,7 °C em Bilbau.
No Reino Unido, o país bateu o recorde de temperatura para junho durante três dias consecutivos, com 36,4 °C no sul de Inglaterra e a emissão de alertas vermelhos de calor extremo por vários dias seguidos.
Também a Alemanha, os Países Baixos e a Suíça emitiram avisos e registaram máximos históricos, incluindo 38 °C em Basileia, num episódio de calor extremo generalizado na Europa.
Perante as temperaturas extremas que estão a afetar a maioria dos países europeus, a OMM alerta para os perigos extremos do calor, que pode mesmo agir como um “assassino silencioso”. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 2000 e 2019 registaram-se aproximadamente 489 mil mortes por ano relacionadas com o calor.
O stress térmico ocorre quando o corpo acumula mais calor do que consegue dissipar. Em condições normais, o organismo regula a sua temperatura através da transpiração e do aumento do fluxo sanguíneo para a pele, explica a organização.
No entanto, quando o ar circundante está muito quente, e especialmente quando também é húmido, estes mecanismos de arrefecimento tornam-se menos eficazes e a temperatura corporal interna começa a aumentar.
“A exposição prolongada durante vários dias, sobretudo quando as temperaturas permanecem elevadas durante a noite, significa que o organismo inicia cada novo dia já sob stress”, explicou Lachlan McIver, conselheiro para a Saúde do Gabinete Conjunto Clima e Saúde da OMS e da OMM.
“Os idosos, as crianças pequenas, as mulheres grávidas, os trabalhadores ao ar livre e as pessoas sem abrigo ou com doenças crónicas estão entre os grupos mais vulneráveis, mas o stress térmico pode afetar qualquer pessoa quando as temperaturas são suficientemente extremas durante um período prolongado.”
De acordo com a OMS, o perigo não está apenas nas temperaturas máximas diurnas, mas também nas temperaturas mínimas durante a noite. “A noite é o período em que o organismo deveria recuperar”, afirma a OMS. Durante o sono, a temperatura corporal central diminui, o sistema cardiovascular descansa e o stress acumulado ao longo de um dia quente começa a aliviar-se.
No entanto, “quando as noites permanecem quentes, essa recuperação não acontece. O organismo continua sob pressão durante as 24 horas do dia”, explica Armel Castellan, consultor técnico para serviços de calor extremo do Gabinete Conjunto Clima e Saúde da OMS e da OMM.
O episódio de calor extremo foi ainda tema de uma intervenção do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, durante a Semana do Clima de Londres, a 23 de junho.
“A Organização Meteorológica Mundial alertou que ainda não vimos nada”, afirma Guterres. “O El Niño não está apenas a bater à porta. Corre o risco de deitar a casa abaixo. Está a aumentar o calor, a perturbar os sistemas alimentares e hídricos e a atingir com maior dureza as populações mais vulneráveis.”
A OMM integra, em conjunto com outras agências da ONU, o Apelo à Ação para o Calor Extremo. Segundo a organização, a iniciativa procura “reforçar a cooperação internacional e reduzir os impactos do calor através de uma melhor produção científica, sistemas de alerta precoce, campanhas de sensibilização pública e ações coordenadas”.
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