3 min leitura
Agricultura europeia vai reduzir emissões e pesticidas até 2035 com manutenção da produtividade
CE prevê que a agricultura europeia mantenha um “bom desempenho” produtivo e comercial, apesar de a um crescimento mais lento, devido aos impactos das alterações climáticas, dos custos de produção e da transição para sistemas mais sustentáveis.
16 Dez 2025 - 10:27
3 min leitura
Foto: Unsplash
- EDP junta setor eólico no Porto para discutir falta de mão de obra e formação técnica
- ADENE apela a municípios que renovem compromissos climáticos até 2050
- Ambientalistas pedem suspensão imediata de obras na Barragem do Pisão
- BPI premeia seis projetos na 14.ª edição do Prémio Nacional de Agricultura
- Associações europeias defendem que renováveis e armazenamento em baterias podem reforçar estabilidade da rede
- Aumento recorde de renováveis em 2025 redefine segurança energética mundial
Foto: Unsplash
A agricultura na União Europeia (UE) deverá reduzir o uso global de pesticidas em 8% e apresentar também uma redução da emissão de gases com efeito de estufa (GEE) em cerca de 6,1%. Simultaneamente, deverá registar-se a continuidade do crescimento da produtividade agrícola, embora a um ritmo mais lento, devido aos impactos das alterações climáticas, à pressão sobre os custos de produção e à transição para sistemas mais sustentáveis.
Os dados são avançados nesta terça-feira pela Comissão Europeia (CE) , no relatório Perspetivas Agrícolas da UE 2025-2035, que faz uma antevisão do setor na próxima década.
Até 2035, espera-se que a agricultura europeia mantenha um bom desempenho produtivo e comercial, sobretudo nos produtos de maior valor acrescentado, continuando a contribuir para a segurança alimentar global. O relatório destaca a produtividade do trabalho como principal motor do aumento do rendimento agrícola e prevê uma redução das emissões de gases com efeito de estufa e dos excedentes de azoto.
Em termos setoriais, a produção de azeite deverá recuperar, enquanto a de carne de bovino, suíno, ovino e caprino, bem como a de vinho, tende a diminuir, refletindo mudanças nos hábitos de consumo. Em contrapartida, a produção de aves, ovos, oleaginosas e leguminosas deverá crescer, enquanto o setor dos lacticínios permanece globalmente estável, com sinais positivos nos produtos de maior valor.
O relatório sublinha ainda que a UE continua globalmente autossuficiente nos principais produtos agrícolas, embora enfrente crescentes desafios de competitividade, servindo estas perspetivas de base para a futura Política Agrícola Comum (PAC) pós-2027.
Pecuária com maior redução das emissões
As projeções apontam para uma redução global das emissões diretas de GEE da produção agrícola nos próximos anos, em especial das emissões provenientes da produção pecuária. Prevê-se que as emissões diretas de GEE da produção animal diminuam 8,4% entre o presente e 2035.
Já as emissões totais globais de GEE da agricultura deverão diminuir 6,1% na próxima década.
Uma vez que neste cálculo são consideradas apenas as emissões diretas, é provável que se obtenham reduções ainda mais significativas, caso sejam tidas em conta a aplicação das medidas da PAC, bem como a utilização de tecnologias de redução de emissões e de práticas agrícolas ambientalmente sustentáveis, sublinham os analistas.
Uso de pesticidas na agricultura em queda
A utilização de pesticidas na UE deverá diminuir globalmente 8% até 2035, com redução mais significativa nos cereais (-12%), produtos hortícolas e culturas permanentes (-5%) e outras culturas aráveis (-23%). A diminuição resulta principalmente da menor intensidade de aplicação por hectare e da redução de áreas cultivadas, como os cereais (-6%) e outras culturas aráveis (-17%).
Os fungicidas e bactericidas continuam a representar a maior fatia (42%), seguidos pelos herbicidas (30%), inseticidas e acaricidas (10%) e reguladores de crescimento (3%).
Em Portugal, prevê-se ligeiro aumento na utilização de fungicidas e bactericidas, sobretudo em olivais, pomares, flores e viveiros, enquanto os inseticidas e acaricidas apresentam pequenas subidas. Por outro lado, a intensidade de aplicação diminui nos olivais (-7%) e vinhas (-4%).
Os produtos hortícolas, culturas permanentes e cereais continuam a receber a maior quantidade de pesticidas, mas com tendência de redução por hectare.
- EDP junta setor eólico no Porto para discutir falta de mão de obra e formação técnica
- ADENE apela a municípios que renovem compromissos climáticos até 2050
- Ambientalistas pedem suspensão imediata de obras na Barragem do Pisão
- BPI premeia seis projetos na 14.ª edição do Prémio Nacional de Agricultura
- Associações europeias defendem que renováveis e armazenamento em baterias podem reforçar estabilidade da rede
- Aumento recorde de renováveis em 2025 redefine segurança energética mundial