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Apenas 5% das perdas económicas com catástrofes naturais estão seguradas em Portugal
País surge entre os que têm menor cobertura de seguros contra eventos climáticos extremos na Europa, enquanto perdas seguradas a nível mundial crescem 5% a 7% ao ano. E ao contrário de alguns países europeus, Portugal não tem seguro obrigatório para catástrofes naturais em habitações.
03 Fev 2026 - 11:01
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Foto: Facebook do município de Marinha Grande
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Foto: Facebook do município de Marinha Grande
Depois da passagem da tempestade Kristin, que varreu o país na noite de 27 para 28 de janeiro deixando um rasto de destruição, o Governo aprovou um pacote no valor de 2,5 mil milhões de euros destinado a apoiar cidadãos, empresas e autarquias afetados. Nesta terça-feira, a Morningstar DBRS revela que Portugal se encontra entre os países europeus com menor cobertura de seguros contra catástrofes naturais, com apenas 5% das perdas económicas cobertas por seguradoras.
O valor coloca Portugal distante de países como a Dinamarca, que tem 71% de cobertura, ou a Islândia, que conta com 64%. Segundo o relatório divulgado, entre 1981 e 2023, apenas um quarto das perdas económicas totais resultantes de eventos climáticos extremos na Europa estiveram seguradas, e essa percentagem está a diminuir.
A análise, que se baseia nos dados da Autoridade Europeia dos Seguros e Pensões Complementares de Reforma (EIOPA, na sigla em inglês), identifica Portugal como um dos 12 países europeus onde as perdas seguradas representam menos de 10% das perdas económicas totais, juntamente com Grécia, Itália, Croácia, Roménia, Bulgária, Eslovénia e Listenstaine.
As razões para a reduzida cobertura de seguros incluem a expectativa de que o Estado intervenha em caso de catástrofe, falta de clareza sobre o âmbito dos contratos de seguro, experiências negativas anteriores com pagamentos de seguradoras, ausência de canais de distribuição e falta de sensibilização da população.
Ao contrário de alguns países europeus, Portugal não tem seguro obrigatório para catástrofes naturais em habitações. A Itália, por exemplo, tornou obrigatória a cobertura de seguros contra inundações, terramotos e deslizamentos de terras para todas as entidades registadas no país desde 31 de março de 2025.
A nível global, as perdas seguradas resultantes de catástrofes naturais estão a crescer entre 5% e 7% ao ano em termos reais, segundo a Swiss Re. Em 2024, as perdas seguradas atingiram 137 mil milhões de dólares a nível mundial, enquanto as perdas económicas totais ascenderam a 318 mil milhões de dólares, cerca de 0,3% do PIB global.
O Banco Central Europeu e a EIOPA propuseram em dezembro de 2024 uma solução conjunta entre os setores público e privado, que poderá incluir um esquema de resseguros e um fundo de catástrofes ao nível da União Europeia. No entanto, não existe ainda um calendário específico para esta iniciativa.
De acordo com dados da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), o valor segurado em apólices relacionadas com incêndios e multirriscos no setor segurador português atingiu 1,010 biliões de euros em 2024, representando um aumento de 11,7% face ao ano anterior. O relatório anual sobre risco climático, publicado pela ASF nesta segunda-feira, revela que o setor da habitação e de edifícios concentra a maior exposição das seguradoras, totalizando 716,7 mil milhões de euros. Os setores do comércio, serviços e indústria surgem em posições subsequentes em termos de valor segurado.
Também nesta segunda-feira o McKinsey Global Institute concluía que “Portugal investe cerca de 200 milhões de dólares (171 milhões de euros) por ano em medidas de adaptação às alterações climáticas, um valor que corresponde apenas a 43% do investimento necessário para proteger o país dos impactos dos fenómenos meteorológicos extremos aos padrões das economias desenvolvidas”, no estudo “Advancing adaptation: Mapping costs from cooling to coastal defenses”.
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