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Aquecimento dos oceanos reduz anualmente cerca de 20% da biomassa de peixes

Estudo realizado no Mar Mediterrâneo, no Oceano Atlântico Norte e no Pacífico Nordeste revela que é necessário planeamento a longo prazo e cooperação internacional para salvaguardar o futuro dos recursos pesqueiros globais.

25 Fev 2026 - 14:24

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Foto: Freepik

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A biomassa de peixes está a reduzir 19,8% ao ano devido ao aquecimento global, conclui um novo estudo internacional levado a cabo por organizações de Espanha e da Colômbia.

Embora ondas de calor marinhas possam gerar aumentos temporários em algumas regiões, os investigadores alertam que estas variações são efémeras e não compensam a perda contínua de recursos.

A análise, liderada pelo Museo Nacional de Ciencias Naturales (MNCN-CSIC) e pela Universidade Nacional da Colômbia, foi realizada nas águas do Mediterrâneo, do Atlântico Norte e do Pacífico Nordeste.

Baseado na análise de 702.037 estimativas de variação da biomassa de 33.990 populações de peixes registadas entre 1993 e 2021 no Hemisfério Norte, o estudo indica que as ondas de calor marinhas, cada vez mais frequentes, não afetam todos os peixes da mesma forma: algumas populações perdem, enquanto outras ganham.

O estudo mostra que tudo depende da zona de conforto térmico, ou seja, da faixa de temperatura ideal em que cada espécie cresce e se desenvolve melhor. Quando uma onda de calor empurra os peixes de águas já quentes para além dessa zona de conforto térmico, a sua biomassa pode cair até 43,4%. Em contraste, as populações em áreas mais frias tendem a prosperar temporariamente à medida que a temperatura aumenta, aumentando a sua biomassa até 176%.

“Embora este aumento súbito da biomassa em águas frias possa parecer uma boa notícia para as pescas, trata-se de aumentos temporários. Se os gestores aumentarem as quotas de captura com base em aumentos de biomassa causados por uma onda de calor, correm o risco de provocar o colapso das populações quando as temperaturas regressarem ao normal ou quando prevalecer o efeito do aquecimento a longo prazo, porque estes aumentos são de curta duração”, alerta o investigador do MNCN, Shahar Chaikin.

O declínio contínuo da biomassa oceânica causado pelo aumento persistente da temperatura é o principal fator de stress enfrentado pelas espécies marinhas. “Quando eliminamos o ruído dos eventos meteorológicos extremos de curto prazo, os dados mostram que este aquecimento está associado a um declínio anual sustentado da biomassa de até 19,8%”, explica Chaikin. “Ao contrário das flutuações meteorológicas extremas de curto prazo, que podem variar dramaticamente, este aquecimento crónico exerce uma pressão negativa constante sobre as populações de peixes no Mar Mediterrâneo, no Oceano Atlântico Norte e no Pacífico Nordeste”, acrescenta o investigador da Universidade Nacional da Colômbia, Juan David González Trujillo.

Melhorar a gestão das frotas pesqueiras

Para salvaguardar o futuro dos recursos pesqueiros globais, os autores propõem uma estrutura em três níveis que combina resposta rápida, planeamento a longo prazo e cooperação internacional.

Embora as populações nas extremidades mais frias da sua distribuição possam oferecer oportunidades de pesca temporárias, estes benefícios não devem distrair da crise mais ampla, referem os investigadores “Os gestores devem equilibrar os aumentos localizados com os declínios a longo prazo de forma extremamente cuidadosa para evitar a sobreexploração”, afirma Miguel B. Araújo, também do MNCN-CSIC. “À medida que o aquecimento dos oceanos continua, a única estratégia viável é dar prioridade a resiliência a longo prazo. As medidas de gestão devem planear o declínio da biomassa esperado num oceano cada vez mais quente”, conclui.

 

 

 

 

 

 

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