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Bancos centrais africanos na linha da frente do impacto das alterações climáticas na economia
Estudo do Banco de Pagamentos Internacionais aponta pressão sobre inflação e crescimento em África, e defende cooperação internacional e uso de tecnologia para gerir novos riscos macroeconómicos.
04 Abr 2026 - 10:30
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Os choques climáticos deixaram de ser um risco distante para se tornarem um fator imediato de instabilidade macroeconómica e os bancos centrais, sobretudo em África, estão na linha da frente dessa transformação. Esta é a principal mensagem do mais recente estudo do Banco de Pagamentos Internacionais (BIS), que analisa o impacto das alterações climáticas nas economias africanas e nas decisões de política monetária.
Os analistas concluem que eventos climáticos extremos e transições energéticas desordenadas já estão a gerar pressões inflacionistas e a travar o crescimento económico. Simulações do modelo multissetorial do BIS mostram que choques em setores intensivos em energia ou altamente dependentes do clima produzem um efeito duplo de subida de preços e contração da atividade.
Países com estruturas produtivas mais expostas às alterações climáticas, como muitas economias africanas, enfrentam perdas mais acentuadas. A análise empírica do estudo aponta para quedas significativas do PIB após desastres naturais, com diferenças marcadas entre regiões do continente. “Estas conclusões sublinham a importância de incorporar os choques relacionados com o clima nas projeções macroeconómicas e na avaliação de riscos, com o apoio de quadros analíticos que tenham em conta as interdependências setoriais e a heterogeneidade entre países”, sublinha o estudo.
A análise evidencia que economias dependentes de setores sensíveis ao clima e com margens orçamentais limitadas estão mais expostas a crises prolongadas. Em África, onde sistemas energéticos e produtivos permanecem fortemente ligados às condições climáticas, essa vulnerabilidade amplifica a volatilidade macroeconómica.
Neste contexto, o papel dos bancos centrais expande-se para além dos instrumentos tradicionais. O estudo aponta duas vias críticas para responder a este desafio: cooperação internacional e inovação tecnológica. Iniciativas como a Network for Greening the Financial System ou os relatórios “Green Swan” do BIS são destacados como exemplos de esforços conjuntos que procuram harmonizar metodologias e melhorar a qualidade dos dados.
A tecnologia surge como acelerador dessa mudança. O uso de inteligência artificial para analisar dados climáticos, mapear emissões nas cadeias de produção e simular eventos extremos pode transformar a capacidade de antecipação dos bancos centrais, sugere o BIS. O estudo defende que “o desenvolvimento de infraestruturas de dados robustas e de ferramentas analíticas escaláveis pode desempenhar um papel fundamental na integração dos riscos relacionados com o clima nos quadros políticos em ambientes com limitações em termos de dados e de capacidades, incluindo muitas economias africanas”.
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