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BCE defende expansão das renováveis para proteger economia europeia
Banco Central Europeu recomenda o reforço das interligações elétricas e o investimento nas redes para facilitar a circulação de eletricidade renovável e solidificar a resiliência.
23 Out 2026 - 09:27
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O Banco Central Europeu (BCE) defende a expansão das energias renováveis para proteger a economia europeia contra crises geopolíticas e choques nos preços da energia.
Para tal, recomenda uma maior integração dos mercados de eletricidade da União Europeia, incluindo o reforço das interligações elétricas entre países e o investimento nas redes, de forma a facilitar a circulação de eletricidade de origem renovável. “A eletricidade renovável mais barata poderia ser transportada para os locais onde é necessária, reduzindo a influência dos preços do gás na formação dos preços grossistas da eletricidade”, pode ler-se num artigo assinado por três economistas do BCE, Óscar Arce, Gerrit Koester e Beatrice Pierluigi.
O BCE reconhece que a Europa precisa de avançar mais na transição ecológica, uma vez que esta não só contribui para a redução global das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) e para travar o agravamento das alterações climáticas, como também reforça a resiliência da economia europeia. “A continuação dos progressos na redução da dependência dos combustíveis fósseis importados poderá limitar ainda mais a exposição da economia às perturbações geopolíticas e à volatilidade dos preços da energia”, assinalam os economistas.
Economia menos vulnerável aos choques energéticos
O supervisor bancário atesta que a Europa tem resistido melhor aos impactos das subidas de preços da energia do que era expectável, precisamente por causa do peso crescente da energia limpa, que reduz a dependência dos combustíveis fósseis importados. Segundo o BCE, a dependência do petróleo na economia da zona euro é atualmente metade da registada no início da década de 1990, reduzindo-se o impacto sobre o crescimento, o consumo e o investimento na zona euro.
Esta mudança está a influenciar cada vez mais os preços da eletricidade na zona euro. O BCE sublinha que o aumento da quota das renováveis reduz o número de horas em que as centrais a gás determinam o preço marginal da eletricidade, diminuindo a transmissão dos preços grossistas do gás para os preços da eletricidade. E cita dois exemplos, verificados em Espanha e França.
Em Espanha, onde a produção de eletricidade renovável é particularmente elevada, a percentagem de horas em que as centrais a gás determinam os preços da eletricidade caiu de cerca de 80%, em 2020, para pouco mais de 20%, em 2026, considerando os primeiros nove meses de cada ano. Em França, onde a energia nuclear tem frequentemente um peso dominante na produção de eletricidade, verificou-se uma descida semelhante, de cerca de 60% para aproximadamente 20%.
“Ao contrário do que aconteceu durante a crise energética de 2021-2022, quando os preços da eletricidade acompanharam de perto os preços do gás, o mais recente choque teve um impacto menor nos países com uma maior quota de energias renováveis e de energia nuclear, no primeiro semestre de 2026”, ressalta o BCE nesta análise.
Os analistas concluem que, embora a Europa continue exposta à evolução dos mercados energéticos mundiais, “a economia está atualmente menos vulnerável aos choques nos preços dos combustíveis fósseis e do gás do que há algumas décadas”.
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