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Bruxelas prepara compras conjuntas de energia
Bloco prepara também um diálogo estratégico com a indústria europeia de refinação para responder à crise energética agravada pela guerra no Irão.
08 Out 2026 - 15:41
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A Comissão Europeia está a preparar uma nova plataforma para agregar produtos energéticos e realizar compras conjuntas, criando ainda um diálogo estratégico com a indústria europeia de refinação para responder à crise energética agravada pela guerra no Irão.
“Sobre os anúncios de curto prazo […] a agregação da procura é um deles e será para produtos energéticos e não apenas para o gás”, disse a porta-voz do executivo comunitário para a área da Energia, Anna-Kaisa Itkonen, falando na conferência de imprensa diária da instituição, em Bruxelas.
“No que diz respeito à agregação da procura a nível da UE, já temos uma boa base, uma vez que dispomos de um modelo para a agregação da procura que foi utilizado com sucesso quando foi criado, em 2022, mas agora […] queremos levá-lo para o nível seguinte”, acrescentou a responsável.
Anna-Kaisa Itkonen deu também conta de um “diálogo estratégico com a indústria das refinarias”, o que seu ver representa “um fator importante” que tem “impacto e desempenham um papel nos preços da energia na Europa”.
Além de abranger a tutela da energia, este diálogo estratégico será feito em cooperação com a da defesa, dado que “a indústria militar e de defesa é um importante consumidor de gasóleo na Europa, sendo importante que esse aspeto também seja refletido nas conversações”, indicou.
“Não tenho uma data para o início deste diálogo, mas, mais uma vez, trata-se de algo que as duas estruturas – a Direção-Geral da Energia e a Direção-Geral da Indústria da Defesa e do Espaço – estão agora a analisar, e esperamos poder dar mais detalhes oportunamente”, reforçou a porta-voz.
Quanto aos pormenores técnicos e práticos, “são precisamente essas questões que teremos de abordar mais tarde, quando houver uma discussão entre os especialistas e antes de estabelecermos qual é, de facto, a melhor forma de avançar”, disse ainda a responsável.
Ainda assim, Anna-Kaisa Itkonen apontou: “No que diz respeito às refinarias e à indústria de refinação e ao papel que desempenham no fornecimento e na garantia de que os países da UE e os Estados-membros dispõem de quantidades suficientes de gasóleo, é importante termos uma visão completa da situação, para além das medidas e dos instrumentos que já temos, incluindo, por exemplo, o Grupo de Coordenação do Petróleo”.
A iniciativa traduz-se, assim, numa “camada adicional, numa situação como esta, para garantir um diálogo contínuo e de alto nível com os representantes da indústria”, adiantou.
A posição surge depois de, na terça-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ter alertado que a pressão sobre os preços da energia poderá agravar-se com a chegada do inverno.
Por essa razão, Ursula von der Leyen anunciou a criação de um grupo de trabalho para agrupar a procura de energia na UE, que está “bastante fragmentada”, e de um diálogo estratégico sobre as refinarias europeias.
As iniciativas surgem num contexto de forte pressão sobre os mercados energéticos europeus na sequência da guerra com o Irão e das perturbações no transporte de energia, nomeadamente no Estreito de Ormuz.
Bruxelas tem vindo a apontar que o abastecimento de petróleo da UE permanece estável, apesar dos preços elevados dos combustíveis, refletindo a escassez nos mercados mundiais.
Desde o final de fevereiro os preços do gás aumentaram 140%, enquanto os preços do gasóleo duplicaram.
Ao todo, os combustíveis fósseis importados têm custado à UE mais 100 mil milhões de euros desde o início da guerra com o Irão causada pelos ataques norte-americanos e israelitas.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT Green
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