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Von der Leyen: “Quando importamos combustíveis fósseis, importamos também choques e crises”
Segundo a presidente da Comissão Europeia, os combustíveis fósseis importados já custaram à Europa mais 100 mil milhões de euros, sem que haja mais energia a entrar no bloco. No debate prévio ao Conselho Europeu, que acontece a 15 e 16 de outubro, Von der Leyen voltou a defender a a importância das energias limpas.
06 Out 2026 - 14:57
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A presidente da Comissão Europeia voltou a defender nesta terça-feira que a União Europeia deve reduzir a dependência dos combustíveis fósseis e alertou que a importação de petróleo e gás expõe a economia europeia aos choques e crises dos mercados globais. Ursula von der Leyen falava no debate plenário do Parlamento Europeu em preparação do Conselho Europeu, que acontece a 15 e 16 de outubro.
“Enquanto a Europa depender do petróleo e do gás, a nossa prosperidade continuará exposta a acontecimentos que estão fora do nosso controlo. Quando importamos combustíveis fósseis, importamos também os choques e as crises que lhes estão associados”, afirmou von der Leyen, no Parlamento Europeu.
Segundo a presidente da Comissão Europeia, os combustíveis fósseis importados já custaram à Europa mais 100 mil milhões de euros, sem que esse aumento de custos tenha correspondido a um acréscimo de energia disponível.
“Desde o final de fevereiro, os preços do gás aumentaram 140%. Os preços do gasóleo duplicaram. No total, os combustíveis fósseis importados custaram mais 100 mil milhões de euros à Europa, sem que tenhamos recebido uma única molécula adicional de energia”, afirmou Ursula von der Leyen, tal como o comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, já tinha referido na conferência de imprensa do Conselho informal de energia, que decorreu em Dublin, na Irlanda, na semana passada.
Perante a subida dos preços, von der Leyen defendeu medidas de apoio “apatadas às necessidades”das famílias com menores rendimentos, rejeitando apoios generalizados por considerar que estes aumentariam a procura, beneficiariam os rendimentos mais elevados e implicariam custos pesados para UE.
Ao mesmo tempo, a Comissão Europeia pretende prolongar o quadro temporário de auxílios estatais destinado aos setores industriais mais expostos aos elevados custos da energia.
A presidente da Comissão Europeia salientou ainda que os preços da eletricidade variam significativamente entre os Estados-Membros devido às diferenças nos respetivos cabazes energéticos.
Num Estado-Membro, exemplificou, um megawatt-hora de eletricidade custa cerca de 145 euros, enquanto noutro o mesmo volume custa 70 euros. No primeiro caso, o preço é determinado sobretudo pelo gás, enquanto no segundo são a energia nuclear e as renováveis que têm maior peso.
“Não existe uma solução única para toda a União Europeia”, afirmou, defendendo que os Estados-Membros devem dispor das ferramentas e da flexibilidade necessárias para responder às diferentes pressões sobre os preços da energia.
A médio e longo prazo, von der Leyen defendeu uma redução da dependência europeia dos combustíveis fósseis através do aumento da produção e utilização de eletricidade limpa.
“Temos de tomar hoje decisões estratégicas para garantir a nossa independência energética amanhã. Isso significa substituir os combustíveis fósseis por eletricidade limpa produzida aqui, na Europa”, afirmou.
Neste sentido, Von der Leyen destacou que no ano passado a energia eólica e solar produziram, pela primeira vez, mais eletricidade do que todos os combustíveis fósseis combinados. No entanto, a presidente salientou que a expansão das redes elétricas continua a ser necessária para transportar a energia renovável para os locais onde é necessária.
“Instalámos mais de 80 gigawatts de capacidade renovável. É positivo. Mas há seis vezes mais capacidade à espera de ser ligada à rede”, sublinhou.
A presidente da Comissão Europeia salientou ainda a necessidade de aumentar o peso da eletricidade no consumo final de energia, atualmente inferior a um quarto. Segundo von der Leyen, o Plano de Ação para a Eletrificação prevê duplicar essa percentagem até 2040, o que poderá contribuir para reduzir as importações de combustíveis fósseis em 260 mil milhões de euros por ano.
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