5 min leitura
Von der Leyen: “Temos de reforçar o investimento na nossa energia limpa, acessível e produzida internamente”
No seu discurso anual sobre o Estado da União, a presidente da Comissão Europeia defendeu uma aceleração a todos os níveis para reforçar a independência energética da Europa. Nos licenciamentos, nas ligações à rede e no armazenamento, reduzindo simultaneamente a dependência dos combustíveis fósseis importados.
16 Set 2026 - 11:51
5 min leitura
Ursula Von der Leyen | Foto: Comissão Europeia
- Organizações de aviação criam aliança internacional para melhorar qualidade do ar nas cabines
- Arranca no Tejo a “maior operação de barcos elétricos do mundo”
- Santarém recebe 4.º Encontro Nacional das Guardiãs da Natureza
- Ministra do Ambiente e da Energia rejeita acabar com o sistema “Volta”
- UE aumenta licenças de carbono gratuitas para travar fuga de produção industrial
- Fundo Ambiental canaliza 3,8 ME para fomentar cogestão das áreas protegidas
Ursula Von der Leyen | Foto: Comissão Europeia
A União Europeia (UE) tem de acelerar a fundo para fazer face aos “desafios excecionais” que está a enfrentar na atualidade e onde a energia assume um papel fundamental, tanto na transição como na resiliência energéticas. No seu discurso anual sobre o Estado da União, que teve lugar nesta quarta-feira no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, a presidente da Comissão Europeia referiu que “é preciso reforçar o investimento na nossa energia limpa, acessível e produzida internamente. Seja renovável e nuclear ou biometano e outras fontes”.
Para responder a estes desafios, Ursula von der Leyen defendeu a aceleração dos licenciamentos, das ligações à rede elétrica e do desenvolvimento do armazenamento das renováveis, bem como o reforço do investimento nas energias limpas produzidas na Europa. A presidente da Comissão Europeia apontou ainda a eletrificação da economia como uma prioridade, com o objetivo de duplicar a quota de eletricidade até 2040 e reduzir a fatura anual de importação de combustíveis fósseis em 260 mil milhões de euros.
Von der Leyen frisou também como fundamental acelerar a construção e expansão das redes elétricas, dado o crescimento da capacidade renovável. Naquele que é o seu segundo discurso neste segundo mandato, Von der Leyen referiu que, no último ano, foram instalados mais de 80 gigawatts (GW) de capacidade renovável na UE, “mas uma capacidade seis vezes superior continua à espera de ligação à rede. É por isso que precisamos tão urgentemente do pacote para as redes elétricas”, proferiu.
Fazendo um paralelismo com uma expressão de Charles Dickens, Von der Leyen, assinalou que estamos a viver “o melhor dos tempos e o pior dos tempos”, com desafios simultâneos, desde a defesa, passando pela crise energética decorrente da guerra no Médio Oriente, habitação, escalada de preços, impacto da tecnologia nos empregos, até à fragmentação política, reforçando que é preciso manter a união no bloco e defender os princípios, valores e interesses europeus, exemplificando com a união dos Estados-membros perante a guerra na Ucrânia e os ataques à soberania da Gronelândia. “Neste mundo, a Europa optou por forjar o seu próprio caminho. E uma Europa mais forte e independente está a emergir”, proferiu, destacando que o mundo está mais hostil, com muitas alianças históricas a fragmentaram-se.
Reforçar a independência no centro da estratégia

Ursula Von der Leyen | Foto: Comissão Europeia
Por isso, também no campo da energia, a estratégia europeia passará por reduzir a dependência externa. Desde o início do conflito no Médio Oriente, os combustíveis fósseis importados já terão representado um custo adicional de 90 mil milhões de euros para a Europa, sem acrescentar energia ao sistema, segundo referiu.
Von der Leyen destacou igualmente a necessidade de simplificar os procedimentos e investimentos. As 12 propostas Omnibus apresentadas pela Comissão deverão reduzir os encargos administrativos em cerca de 17 mil milhões de euros por ano, mas Bruxelas quer agora envolver também os Estados-membros num esforço para combater aquela que diz ser uma “ sobrerregulamentação nacional”.
A energia surge ainda ligada à competitividade industrial. Para Von der Leyen, a Europa não poderá manter a sua capacidade industrial se os preços da energia permanecerem estruturalmente elevados, numa altura em que a UE procura simultaneamente reforçar a sua autonomia em matérias-primas críticas, tecnologias limpas e cadeias de abastecimento estratégicas.
“Continuamos a ter demasiadas dependências perigosas. Dependemos da China em mais de 80% no caso de muitas matérias-primas críticas e em 90% no caso de algumas terras raras. Já fizemos muito, mas não somos os únicos a tentar diversificar. Precisamos de adquirir urgentemente estas matérias-primas e constituir reservas. Nenhum país pode fazer isto sozinho. Por isso, precisamos de pensar de forma diferente”, referiu, anunciando a criação de uma nova Corporação Europeia de Matérias-Primas Críticas. “Ajudará a Europa a obter e a armazenar as matérias-primas de que necessita para os automóveis elétricos, semicondutores e baterias, tecnologias limpas, defesa e muito mais. Não é apenas a nossa indústria que depende destas matérias-primas, mas também a nossa independência e segurança”, explicou.
O discurso sobre o Estado da União é proferido anualmente pela presidente da Comissão Europeia na primeira sessão plenária após as férias e serve para fazer um balanço da atividade comunitária e apresentar as prioridades para o ano seguinte. O discurso é seguido de um debate com os eurodeputados.
- Organizações de aviação criam aliança internacional para melhorar qualidade do ar nas cabines
- Arranca no Tejo a “maior operação de barcos elétricos do mundo”
- Santarém recebe 4.º Encontro Nacional das Guardiãs da Natureza
- Ministra do Ambiente e da Energia rejeita acabar com o sistema “Volta”
- UE aumenta licenças de carbono gratuitas para travar fuga de produção industrial
- Fundo Ambiental canaliza 3,8 ME para fomentar cogestão das áreas protegidas