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Portugal registou 24 dias de calor de risco devido às alterações climáticas entre junho e agosto
Em Lisboa, a temperatura ficou 1,1°C acima do normal, com 15 dias de forte influência das alterações climáticas, 51 dias de calor de risco e 28 dias de calor de risco acrescentados pelas alterações climáticas.
16 Set 2026 - 10:38
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Portugal registou 24 dias de calor de risco agravados pelas alterações climáticas entre junho e agosto. No mesmo período, mais de 1,5 mil milhões de pessoas em todo o mundo passaram pelo menos um mês sob temperaturas consideradas perigosas, segundo uma análise da Climate Central divulgada nesta quarta-feira.
Em Portugal, a temperatura média entre os três meses de verão ficou 1,2°C acima do normal. De acordo com o relatório, cada pessoa enfrentou, em média, 36 dias em que as alterações climáticas tiveram uma influência forte nas temperaturas e 46 dias de “calor de risco”.
O estudo classifica como “calor de risco” dias em que as temperaturas ultrapassaram o percentil 90% dos valores registados entre 1991 e 2020. Destes 46 dias, 24 foram atribuídos às alterações climáticas.
Em Lisboa, a temperatura ficou 1,1°C acima do normal, com 15 dias de forte influência das alterações climáticas, 51 dias de calor de risco e 28 dias de calor de risco acrescentados pelas alterações climáticas.
A nível global, durante os três meses analisados, mais de um quarto da população mundial esteve exposta a uma forte influência das alterações climáticas. Na Europa, 89% da população enfrentou pelo menos 30 dias de calor intenso e de risco, enquanto a Ásia registou 2,8 mil milhões de pessoas afetadas, correspondente a 58% da população do continente.
Entre junho e agosto, 54 países registaram o período mais quente desde 1970, incluindo França, Itália e Reino Unido. Sete dos dez países com temperaturas mais excecionalmente elevadas situaram-se na Europa, com França praticamente empatada como os países com temperaturas “mais anormalmente elevadas” neste período.
A análise conclui que as ondas de calor e os dias de temperaturas perigosamente elevadas se tornaram “significativamente mais prováveis devido às alterações climáticas”, provocadas sobretudo pela queima de combustíveis fósseis.
“A nossa análise revela um padrão global alarmante: seja com nove em cada dez europeus a enfrentar calor intenso, centenas de milhões de pessoas impactadas na Ásia e em África, ou temperaturas recorde implacáveis na América do Norte, o aquecimento global causado pela ação humana está a levar as comunidades além dos limites físicos seguros”, afirma Kristina Dahl, vice-presidente de Ciência da Climate Central, em comunicado.
“Estes últimos três meses são um sinal de alerta que não podemos ignorar, os custos humanos e económicos dos combustíveis fósseis estão a manifestar-se em tempo real, e a urgência de os abandonar nunca foi tão evidente”, acrescenta.
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