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Câmara Africana de Energia diz que aposta de Angola no gás é “modelo replicável” noutros países

"Agenda acelerada do gás em Angola está a emergir como um dos caminhos mais atraentes para o futuro do continente", considera a entidade que quer fomentar investimentos energéticos em África.

06 Jan 2026 - 15:10

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Foto: Unsplash

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A Câmara Africana de Energia (CAE) considera que a aposta de Angola no gás é um “modelo replicável” noutros países africanos produtores de petróleo para aumentar a produção, garantir a segurança energética e acelerar o desenvolvimento.

“Acabar com a pobreza energética em África requer sistemas energéticos escaláveis, fiáveis e com baixas emissões de carbono – e a agenda acelerada do gás em Angola está a emergir como um dos caminhos mais atraentes para o futuro do continente”, considera, numa análise recente, esta entidade, que tem como objetivo fomentar os investimentos energéticos em África.

A CAE salienta, num comunicado enviado à Lusa, que o governo angolano “está a posicionar o gás natural como uma pedra angular da segurança energética regional”, uma mudança que “reflete mais do que diversificação, oferece um modelo replicável para os produtores africanos que pretendem expandir a produção de energia, a produção industrial e a resiliência económica através do desenvolvimento liderado pelo gás”.

Angola alcançou um marco em novembro do ano passado com o início da produção do projeto do Novo Consórcio do Gás (NGC), o primeiro desenvolvimento de gás não associado do país.

O investimento no gás não associado, isto é, não decorrente da transformação de crude, inclui as plataformas Quiluma e Maboqueiro, um sistema de transporte submarino de 50 quilómetros e uma unidade de tratamento em terra.

O empreendimento compreende 13 poços de produção em águas rasas, localizados a 40 quilómetros da costa, com capacidade para processar 400 milhões de pés cúbicos de gás por dia.

De acordo com uma nota do Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás de Angola, divulgada em novembro, o projeto vai permitir reduzir o défice de gás butano e disponibilizar matéria-prima essencial para a indústria de fertilizantes e outros derivados.

O projeto com um investimento de 4,5 mil milhões de dólares (3,8 mil milhões de euros), inaugurado em novembro pelo Presidente da República, João Lourenço, foi desenvolvido pelo NGC, que integra a Sonangol, Azule Energy, Chevron e TotalEnergies.

“O impulso do gás em Angola é mais do que uma história de sucesso a montante, é uma tábua de salvação na luta contra a pobreza energética; projetos como o NGC mostram o que é possível quando os decisores políticos e a indústria trabalham em conjunto para desbloquear recursos, construir infraestruturas e colocar a energia africana ao serviço do desenvolvimento africano”, disse o presidente executivo da CAE, NJ Ayuk, concluindo: “Este é o modelo que o nosso continente precisa de expandir”.

Utilizando recursos dos campos offshore de Quiluma e Maboqueiro para processamento numa unidade de tratamento onshore em Soyo, o projeto tem capacidade para produzir 400 milhões de pés cúbicos padrão de gás por dia e 20 mil barris de condensado, diz a CAE.

Historicamente, a produção de gás de Angola tem estado ligada ao gás associado aos campos de petróleo bruto, mas a NGC rompe com esse padrão; “ao gerar uma produção de gás dedicada e independente dos ciclos do petróleo, estabiliza o abastecimento, apoia a industrialização a jusante e fornece uma fonte de combustível mais limpa e flexível para a energia e a indústria”, aponta ainda a CAE.

A NGC, acrescenta ainda esta entidade, “demonstra como parcerias coordenadas e um planeamento orientado para as infraestruturas podem desbloquear recursos tecnicamente complexos de forma eficiente”.

 

Agência Lusa

Editado por Jornal PT Green

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