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Digitalização e inteligência artificial ganham peso na gestão da energia

Pedro Moreira da Silva e Basílio Simões destacam o potencial da tecnologia para a gestão inteligente da energia nos carregamentos elétricos e nas comunidades de energia.

24 Set 2026 - 16:25

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António Grilo Pedro Moreira da Silva e Basílio Simões | Foto Melissa Dores

Three men in suits sit on beige armchairs on a stage, discussing at a conference with a banner reading 'Transição energética para empresas' in Portuguese behind them, and a glass table with pitchers in front of them.

António Grilo Pedro Moreira da Silva e Basílio Simões | Foto Melissa Dores

Carregar um veículo elétrico já não significa apenas “injetar eletrões” numa bateria. Por detrás de uma operação aparentemente simples existe um ecossistema digital que gere desde a autenticação e o pagamento até à potência disponível, monitorização, manutenção e interação com a rede elétrica.

Na conferência “Transição Energética para Empresas – Desafios da Nova Ordem Mundial”, que decorreu nesta quarta-feira para assinalar o primeiro aniversário do Jornal PT Green, Pedro Moreira da Silva, CEO da iCharging, explicou que a gestão inteligente permite evitar, por exemplo, que vários veículos carreguem simultaneamente à potência máxima quando isso não é necessário. A inteligência artificial começa também a ser utilizada na previsão de consumos, manutenção e otimização do carregamento, tendo em conta fatores como os veículos, os utilizadores, a potência disponível ou a produção local de energia, frisou no painel “Tecnologia ao serviço da transição energética”.

A empresa participa ainda num projeto-piloto dedicado ao carregamento de camiões pesados, cujas elevadas necessidades de potência obrigam a estudar formas de reduzir o impacto sobre a rede. Para Pedro Moreira da Silva, o desafio colocado pela eletrificação dos transportes está sobretudo na potência exigida em determinados momentos e não apenas na quantidade total de energia consumida.

Também as comunidades de energia podem contribuir para equilibrar produção e consumo. Basílio Simões, cofundador e executive chairman da CleanWatts Digital, destacou a evolução do armazenamento em baterias e a possibilidade de guardar energia nos períodos de menor preço para a utilizar quando os preços aumentam. A inteligência artificial permite cruzar previsões de consumo, produção renovável e preços, ajudando a decidir quando armazenar, consumir ou partilhar energia.

Além da vertente tecnológica, Basílio Simões salientou o impacto social das comunidades de energia, nomeadamente no combate à pobreza energética. Energia mais acessível pode permitir às famílias consumir mais pelo mesmo valor e, dessa forma, aquecer ou arrefecer adequadamente as habitações.

A digitalização poderá também ajudar a ultrapassar barreiras administrativas. Esta é a opinião de Basílio Simões, que defendeu uma maior utilização da inteligência artificial na Administração Pública para acelerar processos como os licenciamentos, considerando que Portugal tem boa legislação, mas dificuldades na sua operacionalização.

Perante o aumento de novos consumos, como nos centros de dados, defendeu ainda soluções descentralizadas, instalando capacidade onde a rede já consegue responder à procura, em vez de concentrar grandes necessidades energéticas em locais que obrigam a novos investimentos na infraestrutura.

 

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