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Empresas apontam falta de clareza política como entrave ao mercado de carbono
Relatório da Schneider Electric indica que 55% das empresas quer aumentar o uso de créditos de carbono até 2030, enquanto 46% considera que a ausência de orientações claras continua a limitar o mercado.
07 Mar 2026 - 10:35
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Dois terços dos profissionais de sustentabilidade confiam atualmente em normas certificadas para créditos de carbono. Ainda assim, a falta de clareza política continua a ser o principal obstáculo à expansão desta ferramenta climática, adianta um novo relatório da Schneider Electric.
O estudo “Carbon Credit Outlook 2025” mostra que 46% dos inquiridos identificam a ausência de orientações claras sobre o uso de créditos de carbono como o principal entrave ao crescimento do mercado voluntário. A este fator junta-se a incerteza nas políticas governamentais, apontada por 40%.
Apesar disso, a tendência é de crescimento. Mais de metade das empresas (55%) planeia aumentar o envolvimento com créditos de carbono até 2030, enquanto apenas 12% admite não ter qualquer estratégia nesta área. Quatro em cada dez dizem já interagir ativamente com créditos de carbono de “elevada integridade”, através de compras, investimento ou desenvolvimento de projetos.
O relatório sugere uma mudança gradual na perceção empresarial sobre este mercado, que durante anos esteve rodeado de ceticismo quanto à qualidade e credibilidade dos projetos. Hoje, dois terços das empresas utilizam normas certificadas pela Aliança Internacional para a Redução e Compensação de Carbono (ICROA, na sigla inglesa) e 55% recorrem aos Princípios Fundamentais de Carbono do Conselho de Integridade para o Mercado Voluntário de Carbono para avaliar a qualidade dos créditos.
Para a Schneider Electric, estes dados indicam que a infraestrutura de verificação e os padrões de qualidade do mercado voluntário estão a consolidar-se. “Algo fundamental está a mudar na forma como as empresas encaram os créditos de carbono”, reconhece Mathilde Mignot, responsável global de soluções baseadas na natureza e tecnologia da SE Advisory Services (o novo ramo de consultoria da Schneider), citada no relatório.
Também a composição dos portefólios de carbono está a evoluir. Metade das empresas dá prioridade a créditos de remoção baseados na natureza (como florestação, reflorestação ou restauração de ecossistemas). Já 34% privilegia projetos de prevenção ou redução de emissões, como energias renováveis ou eficiência energética. As soluções tecnológicas de remoção, incluindo captura direta de carbono do ar ou bioenergia com captura e armazenamento de carbono, são prioritárias para 16%.
Atualmente, 37 jurisdições integram sistemas de fixação de preços ou de créditos de carbono nas suas estratégias nacionais. Ainda assim, os autores do relatório defendem que a expansão do mercado voluntário dependerá da criação de regras mais claras que articulem a ação voluntária das empresas com os sistemas de regulação pública. Sem esse enquadramento, alertam, o investimento privado necessário para cumprir os objetivos globais de neutralidade carbónica poderá ficar aquém do necessário.
O inquérito foi realizado ao longo de seis semanas, tendo sido concluído em julho de 2025. Os participantes representaram cerca de 30 nacionalidades e diferentes setores, incluindo agricultura, indústria transformadora, banca, bens de consumo, engenharia e consultorias técnicas, indústria pesada, sociedades de advogados e consultoras, e organizações do setor público.
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