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ERSE aponta falhas e atrasos na transição para redes elétricas inteligentes

Relatório bianual revela lacunas no planeamento das redes e alertas pós-apagão ibérico, apesar de progressos pontuais na digitalização.

18 Fev 2026 - 14:55

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Foto: Pexels

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A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) concluiu que o desenvolvimento de redes elétricas inteligentes em Portugal ainda não cumpre plenamente os objetivos definidos pelo país em 2022. No relatório bianual divulgado nesta quarta-feira, identifica atrasos no planeamento e lacunas na gestão de ativos que podem comprometer a integração de renováveis e a resiliência do sistema face a falhas graves, como o apagão ibérico do último ano.

“Situações como o apagão ibérico, de 28 de abril de 2025, e os recentes eventos climáticos catastróficos põem em evidência o papel da gestão inteligente da rede no reforço da sua resiliência e do sistema elétrico no contexto da transição energética, destacando que essa gestão inteligente aumenta a capacidade de o sistema responder aos novos desafios”, conclui a entidade.

O relatório bianual analisa os dados de desempenho dos operadores da Rede Nacional de Transporte (operada pela REN) e da Rede Nacional de Distribuição (operada pela E-Redes) nos anos de 2023 e 2024, em várias dimensões: planeamento, observabilidade e controlabilidade da rede, qualidade de serviço, prestação de serviços, cibersegurança e indicadores económicos.

A ERSE revela que a adoção de metodologias de planeamento probabilístico, essenciais para otimizar investimentos e antecipar necessidades das redes, ainda está em fase muito “incipiente”, o que pode reduzir a capacidade de integração eficiente de fontes renováveis e eletrificação de consumos.

Quanto à digitalização, apesar de níveis relativamente elevados de observabilidade remota em muitos segmentos da rede, os postos de transformação de média para baixa tensão continuam sem controlabilidade, limitando a resposta em situações de falha ou sobrecarga. Por sua vez, o processo de integração das instalações em baixa tensão em rede inteligente está “praticamente concluído”, segundo o relatório.

A qualidade de serviço técnica também merece críticas. A ERSE reconhece que a deteção remota de ocorrências em baixa tensão carece de expansão significativa, e a utilização de dados de contadores inteligentes para análise de perturbações ainda não atingiu um nível satisfatório de exploração.

Apagão ibérico e resiliência das redes

O documento encarou o apagão ibérico de abril de 2025 como um teste às capacidades de gestão inteligente das redes. A ERSE defende que o incidente coloca “em evidência a necessidade de reforçar a resiliência das redes e do sistema elétrico”.

O relatório inclui dez recomendações concretas para acelerar a transição das redes elétricas portuguesas para um modelo verdadeiramente inteligente. Entre as propostas estão a conclusão célere da integração de instalações de baixa tensão em rede inteligente, reavaliação de critérios técnicos de observabilidade, promoção de projetos-piloto para otimizar capacidades de rede e reforço sustentável de investimentos em cibersegurança.

Embora o relatório reconheça o compromisso dos operadores e alguns avanços regulamentares, a ERSE sublinha que a transição energética e a integração de renováveis exigem respostas mais rápidas e mais coordenadas entre operadores. O acompanhamento destes indicadores será repetido de dois em dois anos, com expectativas de maior maturidade regulatória e técnica nas próximas edições do relatório.

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