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Europa enfrenta mudança sistémica no poder e na energia
Mónica Dias e António Costa Silva apontam necessidade de novas alianças estratégicas e reforço da união entre os países europeus, para enfrentar os desafios da nova ordem mundial.
24 Set 2026 - 12:03
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Fernado Marques Mónica Dias e António Costa Silva | Foto Melissa Dores
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Fernado Marques Mónica Dias e António Costa Silva | Foto Melissa Dores
O mundo não atravessa apenas mais um choque energético ou geopolítico, mas uma “mudança sistémica” na distribuição do poder global. A ideia marcou o debate entre Mónica Dias, diretora do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, e António Costa Silva, gestor, professor e ex-ministro da Economia, na conferência “Transição Energética para Empresas – Desafios da Nova Ordem Mundial”, que assinalou o primeiro aniversário do Jornal PT Green, nesta quarta-feira.
Para Mónica Dias, a Europa enfrenta uma realidade diferente daquela que prevaleceu durante décadas. O alinhamento entre Estados Unidos e Europa alterou-se, enquanto China e Índia ganharam peso na economia e na geopolítica mundiais. A resposta europeia terá, por isso, de passar por maior união e por alianças estratégicas, incluindo com países como o Reino Unido e a Noruega.
Apesar dos riscos, a responsável considera que o atual contexto representa também “uma enorme oportunidade” para a Europa. Evocando a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço no pós-Segunda Guerra Mundial, defendeu que a União Europeia deve recuperar a capacidade de construir respostas comuns perante momentos de crise. “A Europa precisa de ideias, precisa de acreditar em si” e de se unir, sustentou.
No painel dedicado à “Energia num mundo em tensão: geopolítica, segurança e regulação”, António Costa Silva destacou, por seu lado, a profunda alteração do mapa energético mundial, desde a ascensão dos Estados Unidos a maior produtor mundial de petróleo e gás até à estratégia de longo prazo seguida pela China. Na Europa, a guerra na Ucrânia acelerou a redução da dependência do gás russo, mas criou novas dependências energéticas em relação a outros fornecedores.
O ex-ministro da Economia alertou ainda para a perda de competitividade europeia e para a lentidão na adoção de tecnologia, considerando a inteligência artificial “vital para o futuro”. Defendeu uma regulação “urgente e cirúrgica”, capaz de proteger sem comprometer a capacidade das empresas para inovar.
Portugal pode, neste cenário, transformar a transição energética numa oportunidade de reindustrialização. António Costa Silva apontou a evolução das renováveis, a descarbonização da indústria e as agendas mobilizadoras como exemplos dessa capacidade. Mónica Dias acrescentou que o país deve explorar melhor a sua posição atlântica e construir “melhores alianças e melhores parcerias”, nomeadamente com África e a América Latina.
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