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Europa lidera avanços na captura e armazenamento de carbono
Arranque do primeiro hub do mundo dedicado ao armazenamento de CO₂, na Noruega, coloca o continente como um dos principais motores desta tecnologia. Setor mobilizou quase 14 mil milhões de euros nos últimos dois anos.
27 Mar 2026 - 15:33
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Os investimentos e o reforço de políticas públicas estão a sustentar o crescimento da captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS, na sigla inglesa), um pouco por todo o mundo, mesmo com atrasos e cancelamentos de projetos em vários mercados.
A Europa destacou-se em 2025 como um dos principais motores deste avanço, com a entrada em operação do primeiro hub dedicado ao armazenamento de CO₂ do mundo, na Noruega. Também a China e a América do Norte registaram progressos relevantes, enquanto a construção de novas infraestruturas arrancou em oito países.
A atualização anual mais recente da Base de Dados de Projetos CCUS da AIE, que incorpora desenvolvimentos entre o primeiro trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, revelou que a capacidade de captura operacional ou em construção durante este período foi mais de 10% superior à atualização do período homólogo anterior. Também a capacidade de armazenamento aumentou cerca de 25%.
Em termos de perspetivas futuras, a capacidade total potencial de captura manteve-se em níveis semelhantes, em torno de 425 milhões de toneladas (Mt), embora o calendário para implementar grande parte desta capacidade planeada tenha sido adiado para cerca de 2035, devido a atrasos em licenciamento e construção, bem como a incertezas de mercado mais amplas.
Segundo a AIE, nos últimos dois anos, o setor conseguiu mobilizar 13,95 mil milhões de euros em dívida comercial, um sinal claro de maior confiança por parte de investidores privados, sobretudo em regiões onde os governos assumiram parte significativa dos riscos.
Mercado incerto trava projetos
Apesar deste dinamismo, o setor enfrenta desafios estruturais. A capacidade potencial de captura mantém-se nos 425 milhões de toneladas, mas muitos projetos foram adiados para 2035, refletindo entraves no licenciamento, dificuldades na execução e um ambiente de mercado ainda incerto, adverte a AIE.
O financiamento continua fortemente concentrado em mercados com políticas robustas. O Reino Unido, por exemplo, concentrou cerca de 85% do financiamento recente, graças a mecanismos como contratos de longo prazo e garantias públicas que reduzem o risco para investidores.
No Médio Oriente, o progresso foi sustentado por operações de hidrocarbonetos e pela procura antecipada de combustíveis e materiais de baixas emissões, com riscos amplamente geridos pela participação de empresas estatais de petróleo e gás como patrocinadoras do projeto.
Ainda assim, o ritmo não é transversal. Projetos ligados à produção de hidrogénio enfrentam dificuldades devido à ausência de contratos de compra de longo prazo, levando a atrasos e cancelamentos, mesmo em iniciativas já aprovadas, como aconteceu nos EUA e Canadá. Também os projetos de remoção de carbono, como os baseados em biomassa, continuam a enfrentar falta de procura estável e previsível.
A isto somam-se obstáculos no licenciamento e resistência local à construção de infraestruturas de transporte de CO₂.
Novos marcos em 2026
Em 2026, espera-se que vários grandes projetos CCUS atinjam novos marcos. O projeto Porthos, nos Países Baixos, deverá entrar em operação, tornando-se a segunda grande rede de transporte e armazenamento de CO₂ na Europa. No Reino Unido, os projetos de captura restantes do Track 1 deverão avançar para a construção. Prevê-se um impulso adicional no desenvolvimento de armazenamento no Mediterrâneo, com os projetos Ravenna Fase 2 (Itália) e Prinos CO₂ (Grécia) a atingirem decisões finais de investimento. Ao mesmo tempo, muitos projetos CCUS ligados a operações de petróleo e gás no Médio Oriente enfrentam incerteza significativa no contexto geopolítico atual.
Algumas tendências emergentes poderão moldar o ano, nomeadamente, a diferença entre o desenvolvimento de captura e armazenamento poderá aumentar em 2026, criando incerteza para os promotores de transporte e armazenamento.
Ao mesmo tempo, novos mercados poderão emergir, impulsionados por políticas públicas na Europa e na Ásia, incluindo um pacote de cerca de 2,05 mil milhões de euros para descarbonização industrial na Índia.
Num setor ainda dependente de forte apoio público, o sucesso da próxima fase dependerá da capacidade de os governos em garantir previsibilidade de receitas, mitigar riscos e criar condições para que o capital privado continue a fluir para projetos de grande escala, assinala a AIE.
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