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Europa poderá avançar para racionamento de combustível à semelhança da Ásia

Cessar-fogo na guerra no Irão durante 15 dias não deixa solução definitiva à vista. Instituto de Estudos de Energia de Oxford alerta que se a disrupção persistir o racionamento poderá generalizar-se também em solo europeu.

08 Abr 2026 - 11:47

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Foto: Unsplash

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Apesar do cessar-fogo na guerra no Irão anunciado na madrugada desta quarta-feira, que estará em vigor durante 15 dias, ainda não é claro que o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo a nível mundial, vá reabrir e voltar ao seu funcionamento regular. E ainda que isso aconteça, o impacto na economia global levaria cerca de seis meses a regularizar, segundo as estimativas de analistas. O Instituto de Estudos de Energia de Oxford (IEEO) alerta que, se a disrupção persistir, o racionamento de combustível poderá generalizar-se em solo europeu, tal como já está a acontecer na Ásia.

No relatório “Vulnerabilidade do Petróleo Europeu à Perturbação no Estreito de Ormuz”, o IEEO sublinha que a Eslovénia foi o primeiro país da União Europeia a introduzir o racionamento de combustível e que a Comissão Europeia já pediu aos Estados-membros que considerem medidas voluntárias de redução da procura com especial atenção ao setor dos transportes e também que se abstenham de adotar medidas que possam aumentar o consumo de combustível, limitar a livre circulação de produtos petrolíferos ou desincentivar a produção das refinarias na União Europeia (UE).

O alerta é levantado sobretudo para o combustível para a aviação. Segundo o Instituto, “alguns dos grandes grupos europeus de aviação estão a considerar planos para imobilizar aviões em caso de escassez de combustível. Em Itália, vários aeroportos já emitiram avisos sobre fornecimentos limitados de combustível”.

Recorde-se que, a 20 de março, a Agência Internacional e Energia emitiu um documento com 10 recomendações globais para aliviar pressão dos preços do petróleo. Entre elas estão a promoção do teletrabalho, recorrer à eletricidade em substituição do gás na cozinha e evitar viagens aéreas sempre que existam alternativas.

O Instituto salienta que os impactos do choque no fluxo e das perdas de produção propagaram-se ao longo da cadeia física de abastecimento, das camadas financeiras e em várias geografias, sendo que os mesmos se fizeram sentir inicialmente com maior intensidade na Ásia, devido à sua elevada exposição aos fluxos através do Estreito de Ormuz, tanto no que diz respeito ao petróleo bruto como aos produtos refinados.

“A exposição da Europa ao Estreito de Ormuz é muito menor em comparação com a Ásia”, pode ler-se no relatório. No que toca ao petróleo bruto, a Europa importou 520 mil barris por dia (kb/d) via Estreito de Ormuz em 2025, o que corresponde a cerca de 5% das suas importações totais de crude. A exposição europeia é maior nos produtos refinados, atingindo 420 kb/d, ou 10% das importações totais, em 2025. “Cerca de 90% desta exposição concentra-se nos destilados médios, especialmente no combustível de aviação, cujas importações via Estreito de Ormuz representam quase metade do total (~45%)”, destaca a análise.

Ainda assim, apesar da sua menor exposição ao que se passa no Estreito de Ormuz, “a Europa não consegue isolar-se do choque de preços nem das pressões inflacionistas. Em março, os preços da energia na UE aumentaram 4,9%, em contraste com uma queda de 3,1% em fevereiro, o que fez subir a inflação de 1,9% em fevereiro para 2,5%”, salientam os analistas.

E se a disrupção no Estreito de Ormuz persistir, o abastecimento europeu de crude e de produtos refinados poderá ser afetado, sobretudo à medida que se intensifica a concorrência pelo volume disponível que poderia compensar as perdas provenientes do Golfo.  O Instituto assinala que “as reservas da UE, tanto estratégicas como comerciais, são limitadas face a um choque de oferta desta magnitude e, se a disrupção se prolongar, essas reservas serão ainda mais reduzidas, afetando os consumidores e obrigando os governos da UE a adotar medidas difíceis e dispendiosas”.

 

 

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