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Corrida global às terras raras expõe cadeias de abastecimento “altamente concentradas”
Procura impulsionada por novas tecnologias cresce a ritmo acelerado, mas cadeias de abastecimento concentram-se na China. Novo relatório da AIE, elaborado para servir de base às discussões do G7, prevê riscos económicos que podem atingir biliões sem maior diversificação e investimento.
08 Abr 2026 - 12:21
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Foto: Freepik
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A procura por minerais de terras raras tem vindo a crescer, principalmente pelo destaque que estas matérias estão a ganhar, ao sustentarem uma vasta gama de tecnologias, desde os veículos elétricos aos centros de dados para Inteligência Artificial. Embora as terras raras sejam cada vez mais utilizadas, as suas cadeias de abastecimento continuam “altamente concentradas”, descreve a Agência Internacional de Energia (AIE) num novo relatório elaborado para servir de base às discussões do G7 deste ano.
Os 17 elementos das terras raras têm sido mais procurados particularmente para o uso de ímanes permanentes de alto desempenho (neodímio, praseodímio, disprósio e térbio). O relatório mostra que a procura por esta componente já duplicou desde 2015 e prevê-se que aumente mais de 30% até 2030. E a AIE acredita, com base nas atuais orientações políticas, que irá expandir além do final da década.
“Os elementos de terras raras são indispensáveis para muitas das tecnologias que moldam a Era da Eletricidade e as nossas economias cada vez mais digitalizadas, mas as suas cadeias de abastecimento continuam a ser das mais concentradas entre todos os minerais críticos”, afirmou o diretor executivo da agência internacional, Fatih Birol.
Entre todos os minerais críticos analisados pela AIE, as terras raras estão entre os mais concentrados geograficamente em todas as fases da cadeia de valor. Atualmente, a China é responsável por cerca de 60% da produção global destas matérias para ímanes, enquanto a sua quota de refinação é superior a 90%. O domínio torna-se ainda mais evidente nos segmentos a jusante, com quase 95% da produção de ímanes permanentes.
A presidência de Xi Jinping introduziu ainda controlos à exportação em 2025 que trouxeram vulnerabilidades para o centro das discussões, com fabricantes externos a Pequim a enfrentarem dificuldades em garantir matérias-primas essenciais e, em certos casos, a terem de reduzir a produção. O relatório da AIE conclui que, se tais controlos fossem plenamente implementados, até 6,5 biliões de dólares de atividade económica fora da China poderiam estar em risco todos os anos, com os setores automóvel, eletrónico e outros setores de transportes a serem fortemente afetados.
Apesar de haver maior consciência dos riscos, a AIE denota que o avanço na diversificação do abastecimento tem sido reduzido, e os projetos fora do principal fornecedor não são suficientes para acompanhar a procura que se antevê. A agência explica que, até 2035, a capacidade prevista cobrirá apenas parte das necessidades, cerca de metade na mineração, um quarto na refinação e menos de um quinto nos ímanes, evidenciando um défice crescente sem mais investimento e um “desequilíbrio notável” na cadeia de produção.
“As perturbações recentes sublinharam a rapidez com que estas vulnerabilidades se podem traduzir em riscos económicos reais”, diz Fatih Birol, ao enfatizar que “abordá-las exigirá investimento sustentado, medidas de resiliência mais fortes e uma cooperação internacional mais profunda”.
O relatório estima que serão necessários cerca de 60 mil milhões de dólares de investimento na próxima década para desenvolver cadeias de abastecimento diversificadas. Embora significativo, a AIE considera este investimento “modesto quando comparado com a escala das potenciais perdas económicas associadas a perturbações no abastecimento”.
Além disso, o estudo aponta que a reciclagem e a inovação oferecem vias complementares importantes, podendo a primeira, sozinha, reduzir a necessidade de abastecimento primário em até 35% até 2050. Já os avanços em tecnologias inovadoras de produção e substituição poderiam aliviar a pressão sobre os elementos mais limitados.
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