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Christophe Hansen: “Queremos integrar soluções orgânicas e de base biológica na produção de fertilizantes”

O comissário Europeu para a Agricultura e Alimentação alerta para agravamento do preço dos fertilizantes e para a necessidade de uma resposta coordenada para aumentar a produção e segurança da UE nesta matéria.

26 Mai 2026 - 11:20

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Christophe Hansen, comissário Europeu para a Agricultura e Alimentação | Foto: UE

Christophe Hansen, comissário Europeu para a Agricultura e Alimentação | Foto: UE

No Conselho da Agricultura e das Pescas, nesta terça-feira em Bruxelas, o comissário Europeu da Agricultura e Alimentação alertou para a persistência da crise dos fertilizantes na União Europeia (UE) e defendeu uma resposta estrutural assente em dois pilares fundamentais: o reforço da produção interna e a integração de fertilizantes de base orgânica e biológica, incluindo biogás e biometano, como forma de aumentar a resiliência do setor agrícola europeu.

“Queremos estimular a integração de soluções orgânicas recicladas e de base biológica, tanto na produção de fertilizantes como na produção de misturas de fertilizantes ou na gestão de nutrientes”, referiu Christophe Hansen, acrescentando que “o biogás e o biometano não significam apenas energia doméstica, mas também a produção interna de fertilizantes sob a forma de digeridos”.

Sublinhou também a chamada biomassa de algas, outros potenciadores do solo e soluções microbianas como algumas das vias mais promissoras. Porém, para isso, referiu que é necessário avaliar o quadro regulamentar para reforçar a viabilidade económica destes produtos e soluções de base biológica de modo a que se tornem mais acessíveis ao longo do tempo. “Os agricultores são afetados pela descarbonização da indústria e devem igualmente fazer parte da justificação económica de uma maior descarbonização. E embora queiramos estimular a produção de adubos hipocarbónicos, tal só funcionará se criarmos as condições adequadas e a procura dos mesmos”, referiu no seu discurso de abertura do Conselho.

Christophe Hansen alertou para o agravamento da crise dos fertilizantes, nomeadamente para o aumento dos preços e menor disponibilidade de produtos devido às tensões geopolíticas globais e sublinhou que a disponibilidade e a acessibilidade dos agricultores aos fertilizantes na União Europeia “continuam a ser um problema grave”, que requer uma resposta estruturada.

Segundo Hansen, a situação está já a influenciar o comportamento dos agricultores europeus, com alguns a reduzirem a utilização de fertilizantes ou a alterarem as suas opções de produção. “Alguns agricultores estão a reduzir a utilização dos fertilizantes, o que tem obviamente um impacto grande, não apenas a nível dos rendimentos, mas também a nível da qualidade dos produtos”, referiu.

O responsável europeu também sublinhou as consequências de médio prazo, nomeadamente que as decisões de sementeira e produção para 2027 estão já a ser afetadas pela incerteza no mercado.

Para responder a esta situação, a Comissão Europeia pretende avançar com um conjunto de medidas de curto e longo prazo, incluindo apoio financeiro excecional aos agricultores mais afetados, mobilização de reservas agrícolas e reforço da Política Agrícola Comum, com instrumentos de liquidez, pagamentos antecipados e apoio à eficiência da fertilização.

Num plano mais estrutural, Hansen defendeu a necessidade de reduzir a dependência de importações e reforçar a produção interna europeia, articulando essa transição com os objetivos de descarbonização e economia circular. “É essencial manter a produção interna de fertilizantes e apoiar a indústria na sua descarbonização”, afirmou, sublinhando que essa transição deve garantir simultaneamente “o acesso a adubos a preços mais acessíveis”.

Recorde-se que, na última semana, a CE apresentou o Plano de Ação para os Fertilizantes, uma iniciativa que visa precisamente enquadrar o apoio aos agricultores que enfrentam o aumento dos custos e a escassez de fertilizantes. Segundo o Eurostat, no último trimestre de 2025, o preço dos fertilizantes subiu 8% na UE.

 

 

 

 

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