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China aperta cerco aos minerais críticos e mundo deve correr para criar reservas estratégicas

Agência Internacional de Energia recomenda armazenamento como “apólice de seguro” para combater ruturas de abastecimento, num contexto em que controlos às exportações de terras raras impostos em 2025 forçaram fábricas a fechar.

28 Jan 2026 - 09:21

4 min leitura

Foto: MiningWatch Portugal via Unsplash

Foto: MiningWatch Portugal via Unsplash

Os riscos associados à concentração da cadeia de abastecimento de minerais críticos deixaram de ser uma ameaça teórica. Em 2025, transformaram-se em realidade, com impacto direto na economia global. Os controlos às exportações de terras raras anunciados pela China em outubro obrigaram fábricas automóveis a reduzir produção ou mesmo a fechar temporariamente, num episódio que a Agência Internacional de Energia (AIE) classifica como “um importante ponto de viragem” para a segurança económica mundial.

As restrições chinesas não se limitaram às terras raras, com o gálio, germânio, grafite e tungsténio a ficaram também subjugados ao controlo de exportação. Estes minerais são essenciais para semicondutores, baterias, aeroespacial e defesa, explicam os especialistas da Agência, num comentário publicado nesta terça-feira. A China domina, deste modo, o refinamento de 19 dos 20 minerais estratégicos monitorizados pela AIE, com uma quota de mercado média de 70%. Mais de metade destes minerais já está sujeita a algum tipo de restrição.

A solução que a AIE propõe passa por reservas estratégicas de minerais críticos, semelhantes às que foram criadas para o petróleo após o choque de 1973. A agência internacional argumenta que estas reservas funcionam como “apólice de seguro” contra ruturas de abastecimento, enquanto se desenvolvem fontes alternativas de fornecimento, um processo que pode demorar anos.

Países como o Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos já mantêm reservas estratégicas de minerais críticos. O Japão gere as suas através da JOGMEC (Organização para Metais e Segurança Energética), a Coreia do Sul através da KOMIR e do PPS (Public Procurement Service) e os EUA através da Agência de Logística de Defesa (DLA, na sigla inglesa). A China também possui grandes reservas, mas utiliza um modelo misto que combina armazenamento público e privado.

A AIE desenvolveu uma base de dados e um modelo de avaliação que cobre mais de 30 formas de minerais estratégicos. O quadro analítico examina riscos de fornecimento, explora potenciais modelos de governação, bem como avalia a importância estratégica e viabilidade de armazenamento para cada material.

Os desafios variam conforme o mineral. O hidróxido de lítio, por exemplo, degrada-se rapidamente em contacto com o ar, reduzindo o prazo de validade para cerca de seis meses. O gálio tem um ponto de fusão de apenas 30°C. Estas características implicam armazenamento controlado e rotação frequente de ‘stocks’, aumentando custos e complexidade.

Custos “baixos” face aos riscos

Segundo a AIE, os custos de criação de reservas estratégicas são relativamente baixos quando comparados com o impacto económico de ruturas de abastecimento. Para todos os países membros da AIE armazenarem seis meses de importações expostas de gálio metálico do principal fornecedor, o custo operacional total seria de cerca de 800 mil dólares. Em contraste, no caso dos ímanes permanentes de terras raras, esse valor subiria para quase 90 milhões de dólares. Para o hidróxido de lítio, usado em maior volume, os custos ficariam abaixo dos 300 milhões.

A AIE defende que a libertação de reservas deve ser feita apenas em casos de “interrupções agudas e de curto prazo”, para evitar distorções de mercado. A agência recomenda ainda coordenação internacional nas compras e nos princípios de libertação de ‘stocks’, bem como o apoio a projetos que aumentem a diversificação global da oferta.

“Os mercados de minerais críticos operam num contexto muito diferente dos mercados petrolíferos”, esclarecem os especialistas. “A diversidade dos minerais críticos, cada um com contextos de mercado distintos, significa que o armazenamento não é uma solução universal e a sua adequação pode variar consoante o mineral. Também não substitui os esforços para desenvolver fontes de abastecimento diversificadas que proporcionem benefícios fundamentais em termos de segurança”, alertam. No entanto, acreditam que “as reservas podem ainda desempenhar um papel importante no fornecimento de abastecimento de emergência e na proteção das indústrias e dos postos de trabalho”.

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