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China aperta controlo sobre minerais críticos e agrava tensões globais nas cadeias de abastecimento

Agência Internacional de Energia alerta a indústria global para o aumento das restrições impostas por Pequim à exportação de terras raras e baterias, o que reforça o domínio chinês sobre matérias-primas essenciais para a transição energética.

26 Out 2025 - 09:51

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Xi Jinping, presidente da China | Foto: Wikimedia

Xi Jinping, presidente da China | Foto: Wikimedia

Num contexto geopolítico cada vez mais tenso, os chamados minerais críticos, essenciais para a transição e segurança energética e económica, tornaram-se um dos temas centrais da política global, na visão da Agência Internacional de Energia (AIE). Segundo o “Global Critical Minerals Outlook 2025”, a China domina o refinamento de 19 dos 20 minerais estratégicos mais importantes, com uma quota média de mercado de 70%. Essa concentração, alerta a AIE, tem vindo a aumentar e representa um risco crescente de vulnerabilidade a choques e interrupções, sejam eles causados por fenómenos meteorológicos extremos, falhas técnicas ou perturbações comerciais.

Nos últimos meses, Pequim fortaleceu os controlos às exportações de terras raras e componentes de baterias (iões e lítio), alargando as restrições a metais, compostos, ímanes e até peças e equipamentos que contenham materiais de origem chinesa. A medida, que entra em vigor plena a partir de 1 de dezembro, poderá afetar gravemente as cadeias de abastecimento globais de setores como a energia, o automóvel, a defesa, os semicondutores e os centros de dados de inteligência artificial.

As terras raras são cruciais para a produção de motores elétricos, turbinas eólicas, sistemas de defesa e equipamentos digitais. A China já controla cerca de 60% da extração e 90% da refinação mundial destes elementos. A nova vaga de restrições, que inclui agora mais cinco metais, entre os quais o hólmio e o európio, poderá causar escassez de ímanes permanentes e aumentar custos para fabricantes europeus e norte-americanos.

O impacto já se faz sentir: após a introdução dos primeiros controlos em abril, vários construtores automóveis foram obrigados a reduzir a produção por falta de componentes ou até a encerrar temporariamente fábricas, explica a AIE. Mesmo após a recuperação dos volumes comerciais, os preços na Europa chegaram a ser seis vezes superiores aos da China.

Saliente-se que nesta quinta-feira, por exempo, a associação patronal do setor automóvel brasileiro alertou que a produção de veículos está “em risco” devido à “escassez crítica de semicondutores” no país.

As baterias de iões de lítio, vitais para os veículos elétricos e o armazenamento de energia, também estão na mira de Pequim. As novas restrições, com efeito a partir de 8 de novembro, abrangem materiais de cátodo e ânodo, células e blocos de baterias para aplicações de alto desempenho, num setor em que a China já controla mais de 80% cadeias de abastecimento globais.

Gráfico AIE: Número de artigos que contêm óxidos de terras raras equivalentes aos volumes de exportação de ímanes de terras raras da China, em 2024.

“No curto prazo, se as aprovações de exportação forem atrasadas, o mercado internacional poderá enfrentar escassez de materiais de baterias. Isso poderá aumentar os custos das baterias, com efeitos indiretos sobre a acessibilidade dos veículos elétricos e do armazenamento energético”, descreve a agência.

A AIE compara o momento atual à crise do petróleo dos anos 1970. Tal como então, defende a criação de mecanismos internacionais de cooperação e diversificação para reduzir a dependência de um único fornecedor. Foi neste âmbito que lançou o Critical Minerals Security Programme. “Nenhum país pode enfrentar sozinho estes desafios”, afirmou o diretor executivo da AIE, Fatih Birol, num recente artigo de opinião.

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