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Financiamento para a adaptação climática cobre menos de um terço das necessidades
PNUA estima que os países em desenvolvimento necessitem de 305 mil milhões de dólares anuais até 2035, mas o compromisso de triplicar o financiamento permitirá cobrir apenas 20% a 29% desse valor.
04 Nov 2026 - 13:50
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Apesar de o aquecimento global dever ultrapassar os 1,5 °C, como concluiu o recém lançado ‘Emissions Gap Report 2026’, os esforços de financiamento destinado a ajudar as comunidades a adaptarem-se às alterações climáticas continua muito abaixo das necessidades, alerta o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA) nesta quarta-feira.
Mais especificamente, os países em desenvolvimento vão precisar de cerca de 305 mil milhões de dólares por ano até 2035 para reforçar a resiliência e reduzir os riscos. No entanto, mesmo que o financiamento público internacional para a adaptação climática triplique, apenas será possível cobrir, no máximo, 29% das necessidades.
“O mundo não está preparado para se adaptar às atuais condições climáticas, quanto mais ao que a ultrapassagem do limite de 1,5 °C poderá trazer”, alerta Inger Andersen, diretora executiva do PNUA.
Segundo as Nações Unidas, os fluxos internacionais de financiamento público para a adaptação atingiram entre 28,2 e 31,7 mil milhões de dólares em 2024, apenas mais mil milhões de dólares do que no ano anterior.
“O crescimento está a perder ritmo”, assinala a organização mundial. Além disso, a estimativa de 305 mil milhões de dólares não inclui as necessidades do próprio setor privado, o que significa que o valor total poderá duplicar.
Recorde-se que o compromisso de triplicar o apoio financeiro anual foi acordado na conferência climática do ano passado, no Brasil, integrando um dos principais documentos finais, conhecido como Global Mutirão. A expressão ‘mutirão’ tem origem numa palavra indígena que designa uma tarefa coletiva.
Mesmo que este objetivo seja alcançado, o financiamento previsto, entre 85 e 120 mil milhões de dólares por ano, cobrirá apenas 20% a 29% das necessidades estimadas, tendo em conta a inflação.
“Na COP31, na Turquia, e para além dela, os países têm de concentrar-se no reforço dos esforços para concretizar a ambição definida no Global Mutirão da COP30 de triplicar o financiamento para a adaptação até 2035. Mas devem compreender que será necessário ir ainda mais longe para salvar vidas, evitar perdas e danos e proteger as economias”, afirma Inger Andersen.
Recorde-se que o Emissions Gap Report concluiu que são necessárias “reduções urgentes e rigorosas” das emissões de gases com efeito de estufa para minimizar a magnitude e a duração da ultrapassagem deste limiar e regressar a 1,5 °C até ao final do século, segundo o relatório divulgado nesta quarta-feira.
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