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ICNF prepara projetos de reabilitação e restauro da área ardida no Parque Natural do Alvão

De acordo com o ICNF, o incêndio afetou diversos habitats naturais, incluindo alguns prioritários ao abrigo da Diretiva Habitats, como florestas aluviais, charnecas húmidas atlânticas ou formações herbáceas de Nardus.

31 Mar 2026 - 09:34

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Parque Natural do Alvão | Foto: Libânia Pereira / Wikimedia Commons

Parque Natural do Alvão | Foto: Libânia Pereira / Wikimedia Commons

O Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) prepara projetos de reabilitação e restauro da área atingida pelo incêndio que, em agosto, afetou o Parque Natural do Alvão (PNA), um território de lobos e morcegos.

A 2 de agosto deflagrou um incêndio em Sirarelhos, na União de Freguesias de Pena, Quintã e Vila Cova, concelho de Vila Real, que, até 13 de agosto, queimou 5.947 hectares da serra do Alvão, dos quais 1.669 na área do PNA, afetando diversos habitats naturais. Foram ainda atingidas diversas espécies da flora e fauna protegidas, sendo, segundo o ICNF, “particularmente relevante a afetação do território da alcateia [de lobos] de Vaqueiro e de um abrigo de morcegos classificado como de importância nacional.

Num ponto de situação feito à agência Lusa, o ICNF disse que, após o fogo, foram implementadas medidas de proteção contra a erosão dos solos, nomeadamente a proteção das linhas de água e das áreas com maior inclinação do terreno, e que, a curto médio prazo, está a ser preparado um conjunto de projetos de reabilitação e restauro das áreas ardidas que permitam potenciar e acelerar a recuperação.

Nomeadamente, concretizou, a monitorização da regeneração natural, melhoramento de pastagens e sementeiras para a fauna selvagem, recuperação de bosques de folhosas, restauro de habitats prioritários afetados pelo incêndio, recuperação de galerias ripícolas, recuperação de áreas de pinhal e a prevenção e erradicação de espécies exóticas invasoras.

O instituto disse que tem ainda apoiado com meios humanos e cedência de plantas, diversas iniciativas promovidas por voluntários de associações, autarquias e escolas, no âmbito da educação ambiental, efetuando plantações pontuais formando pequenos bosquetes em áreas que, antes da ocorrência do incêndio, se encontravam desprovidas de arborizações.

O PNA tem 7.220 hectares e abrange área dos concelhos de Mondim de Basto e de Vila Real. De acordo com o ICNF, o incêndio afetou diversos habitats naturais, incluindo alguns prioritários ao abrigo da Diretiva Habitats, como florestas aluviais, charnecas húmidas atlânticas ou formações herbáceas de Nardus, salientando que as áreas “ardidas integram zonas classificadas como importantes e muito importantes para a avifauna, reforçando a sensibilidade ecológica da região atingida”.

“O ICNF está no terreno a avaliar o impacto e consequências deste incêndio para os habitats e espécies, tendo em vista definir e implementar as medidas prioritárias de intervenção”, salientou ainda. E realçou que, aquando do incêndio, participou, durante vários dias, nas operações de combate, rescaldo e vigilância, com vários operacionais e máquinas pesadas de rastos.

Elaborou depois um relatório de estabilização de emergência, que serviu de base à celebração de contratos-programa com os municípios de Vila Real e Mondim de Basto, para realização de intervenções de minimização dos impactos negativos do incêndio e deu origem à execução de diversas ações implementadas pelos municípios e pelo ICNF, nomeadamente obras de correção torrencial na área do Outeiro da Lagoa (entre Alto das Muas e Barragem) e nas unidades de baldios de Ermelo e Pardelhas.

Foram realizadas sementeiras para reposição de pastagens para a fauna e rebanhos na área de Galegos da Serra, Pardelhas, Ermelo e Fervença, realizou-se a beneficiação da rede viária florestal entre a Barragem de Lamas de Olo e Parque eólico de Outeiro e em Ermelo. E foram também colocadas barreiras de sobrantes para estabilização da encosta na Estrada Municipal 313 (EM 313) – entre Relva e Muas, e ao longo da Levada do Moinho do Lombo (baldio de Ermelo), feita a limpeza das bermas da EM 313, incluindo árvores em risco de queda, na zona de Muas, e colocados abrigos/comedouros nos baldios de Pardelhas, Ermelo e Fervença.

 

Agência Lusa

Editado por Jornal PT Green

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