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Jorge Sousa: “O futuro da UE tem de ser elétrico”

Presidente do Conselho Tarifário da ERSE falou do problema estrutural que representa a dependência energética da Europa

23 Set 2026 - 16:07

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Jorge Sousa membro do Conselho de Administração da ACER e presidente do Conselho Tarifário da ERSE | Foto Melissa Dores

Man in a navy suit and orange striped tie speaks at a clear lectern with a microphone, BNP logo visible, in a bookshop setting.

Jorge Sousa membro do Conselho de Administração da ACER e presidente do Conselho Tarifário da ERSE | Foto Melissa Dores

“O futuro da União Europeia tem de ser elétrico”, afirmou ontem Jorge de Sousa, professor associado do IST, membro do Conselho de Administração da ACER e presidente do Conselho Tarifário da ERSE, durante a intervenção principal na conferência “Transição Energética para Empresas – Desafios da Nova Ordem Mundial”, que assinalou o primeiro aniversário do Jornal PT Green.

Subordinada ao tema “Nova Ordem Mundial – Impacto na Construção das Tarifas de Eletricidade”, a intervenção de Jorge de Sousa centrou-se no “problema estrutural que é a dependência energética da UE”.

“A Europa tem uma elevada dependência energética e importa 57% da energia que consome, o que é uma enorme vulnerabilidade”, afirmou o responsável, acrescentando que “importamos inflação, o Banco Central Europeu (BCE) aumenta as taxas de juro e a economia entra num processo recessivo”. Algo que, segundo Jorge de Sousa, não aconteceu nos Estados Unidos, que se “transformaram no maior produtor de petróleo do mundo e no maior exportador de gás”.

Regressando ao problema estrutural da UE, Jorge de Sousa referiu que “todos os países da UE são dependentes de energia em várias percentagens”, o que confere uma importância acrescida ao processo de transição energética, que “começou por ser ambiental e agora passou para o nível da soberania e da competitividade”.

O recentrar da política europeia na transição energética está bem materializado no Relatório Draghi, mas o presidente do Conselho Tarifário da ERSE recorda que “é importante não confundir eletricidade com energia. Eletricidade é energia, mas nem toda a energia é eletricidade”.

Jorge Sousa | Foto: Melissa Dores

Para aquele responsável, é na eletricidade que a Europa tem uma forte vertente competitiva, sendo importante duplicar o nível de eletrificação até 2040. Entre os principais desafios estão a capacidade de integração da energia e o investimento nas redes.

“O objetivo deste percurso de maior eletrificação é reduzir em 260 mil milhões de euros por ano as importações de energia na UE”, referiu Jorge de Sousa.

O professor do IST recordou que existem fontes renováveis que entram no sistema sem ser através do setor elétrico, dando como exemplo os biocombustíveis, que permitem introduzir energias renováveis sem recurso ao setor elétrico. Outro exemplo é a eletrificação indireta, através da utilização de eletricidade para produzir moléculas que permitem gerar combustíveis renováveis sintéticos.

Para aquele especialista, “o grande desafio é fazer uma transição que não seja só uma troca de combustíveis, mas sim uma transição sistémica onde existam mais renováveis, mais redes e mais mercados interligados”.

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