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Novo programa de ação visa reforçar combate à expansão de alga invasora
O Governo prevê a criação de uma Base de Dados Nacional Georreferenciada, estações de vigilância em pontos estratégicos, sensores subaquáticos e câmaras remotas em zonas críticas, bem como o recurso a imagens de satélite e veículos aéreos.
21 Set 2026 - 16:41
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Foto: Magnific
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Foto: Magnific
O Governo aprovou o Programa de Ação Nacional para o Controlo da Macroalga Invasora Rugulopteryx okamurae 2026-2030, que pretende monitorizar, conter e mitigar os impactos desta espécie.
Segundo o Ministério do Ambiente e Energia, o programa concretiza a Estratégia Nacional para a Gestão da Macroalga Invasora Rugulopteryx okamurae, aprovada em julho de 2025. Este plano de ação resulta do trabalho de um grupo coordenado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que reuniu organismos da Administração Pública, autarquias, instituições científicas e outras entidades.
De acordo com comunicado emitido pelo ministério, a elevada capacidade de dispersão e proliferação desta alga tem impactos nos ecossistemas marinhos e nas atividades económicas dependentes do litoral.
Entre os efeitos identificados encontram-se a diminuição das capturas, os danos nas artes de pesca e o tempo necessário para a sua limpeza, a perda de atratividade das praias e os custos acrescidos suportados pelas autarquias com a remoção da biomassa acumulada.
“Estamos perante uma espécie invasora que já tem uma presença significativa e que exige uma resposta coordenada e sustentada. Este Programa permite-nos passar de intervenções pontuais para uma atuação nacional, assente na ciência, na prevenção, na deteção precoce e na capacidade de resposta no terreno. Queremos proteger os ecossistemas marinhos e, ao mesmo tempo, reduzir os impactes sobre os pescadores, as autarquias, o turismo e as populações”, afirma a Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.
“Sabemos que, nesta fase, não é realista prometer a erradicação desta alga, mas podemos estar mais bem preparados, atuar mais depressa e procurar soluções inovadoras e sustentáveis para a valorização da biomassa recolhida”, acrescenta Maria da Graça Carvalho.
A Rugulopteryx okamurae trata-se de uma alga castanha originária do Pacífico Norte e está incluída na lista de espécies exóticas invasoras que suscitam preocupação na União Europeia. Em Portugal continental, os primeiros registos no Sul datam de 2021, sendo que posteriormente acabou por se expandir pelo Algarve e pela costa alentejana. Mais tarde, em 2024, foi também registada ao largo de Cascais e em oito das nove ilhas dos Açores.
O Ministério explica que, devido às características da espécie e ao grau de disseminação já alcançado, a sua erradicação “é considerada praticamente impossível”. A atuação concentra-se, por isso, em prevenir o desenvolvimento da espécie em novas localizações, através da deteção precoce e da atuação imediata, e minimizar os impactes nas zonas onde já se encontra instalada.
Assim, o Governo prevê a criação de uma Base de Dados Nacional Georreferenciada (WebGIS), estações de vigilância em pontos estratégicos, sensores subaquáticos e câmaras remotas em zonas críticas, bem como o recurso a imagens de satélite e veículos aéreos não tripulados. Além disso, o plano inclui ainda um sistema de alerta precoce e o desenvolvimento de algoritmos de deriva baseados nas correntes e nos ventos.
No terreno, estão previstas soluções adaptadas às características e à sensibilidade de cada local, desde a remoção manual e mecânica à extração na coluna de água e à instalação de barreiras de contenção ou deflexão. O Programa planifica também procedimentos para o transporte estanque e o armazenamento temporário em terra da biomassa recolhida.
Nas áreas de investigação e inovação, o programa prevê o desenvolvimento e teste de métodos de remoção sustentável, a avaliação dos impactes ambientais e económicos da espécie, ensaios de restauro ecológico dos ecossistemas após a remoção e o estudo do potencial de valorização da biomassa recolhida.
O Governo quer ainda reduzir o risco de propagação para novas zonas. Entre as potenciais vias de disseminação identificadas encontram-se as águas de lastro, as incrustações nos cascos de embarcações, os equipamentos de pesca, a aquicultura e a dispersão natural.
Neste sentido, estão previstas ações de formação, sensibilização e códigos de boas práticas dirigidos aos setores envolvidos.
O Programa inclui ainda uma vertente de comunicação, sensibilização e ciência cidadã, com uma plataforma nacional de informação e registo, sinalização em marinas, portos e zonas de mergulho e materiais informativos para praias e zonas balneares.
Simultaneamente, prevê ainda ações dirigidas às comunidades piscatórias, operadores turísticos, aquicultores e praticantes de atividades náuticas, assim como a criação de um canal de comunicação com Espanha e outros países onde ocorre esta alga invasora, para reforçar a partilha de informação e a cooperação.
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