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Pesca do atum é a mais vulnerável às alterações climáticas

Estudo científico do Marine Stewardship Council analisou os riscos que as alterações climáticas representam para 19 categorias de pescado, desde krill e lagosta até peixe branco e atum, utilizando diferentes tipos de artes de pesca.

20 Nov 2025 - 16:24

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Imagem: Freepik

Imagem: Freepik

As pescarias dedicadas a espécies altamente migratórias, como o atum, estão mais expostas aos riscos associados às alterações climáticas, revelam modelos científicos de um novo estudo conduzido pelo Marine Stewardship Council (MSC).

A investigação analisa os riscos que as alterações climáticas representam para pescarias de todo o mundo, abrangendo 19 categorias de pescado, desde krill e lagosta até peixe branco e atum, utilizando diferentes tipos de artes de pesca.

Segundo este trabalho, as pescarias de espécies altamente migratórias, como os atuns, são as mais vulneráveis. Em segundo lugar, destacam-se as pescarias de pequenos pelágicos — como cavala, arenque, capelim e verdinho —, seguidas das pescarias de peixes brancos, como bacalhau, arinca, solha, linguado e tamboril.

As espécies migratórias alteram as suas rotas em busca de águas mais frias à medida que as temperaturas dos oceanos aumentam. Por exemplo, o atum-rabilho do Atlântico regressou recentemente às águas em redor do Reino Unido após décadas ausente, possivelmente devido à procura de temperaturas mais adequadas ou ao seguimento dos cardumes de presas que mudam para o norte. No Pacífico, há sinais de deslocação dos atuns do Oeste para Leste. Estes deslocamentos levam os atuns a surgir em novas jurisdições ou em alto mar, tornando-os sujeitos a diferentes regimes regulamentares, o que pode aumentar os desacordos entre governos relativamente às quotas de captura permitidas por stock, podendo conduzir à sobrepesca. Todos estes exemplos apresentam indícios de consequências presentes e futuras das alterações climáticas para a sustentabilidade das pescarias.

Por contraste, pescarias direcionadas a invertebrados — como bivalves, caranguejos e camarões — são menos suscetíveis a certos efeitos das alterações climáticas relacionados com divergências na gestão internacional, já que as espécies-alvo têm hábitos sedentários ou vivem no fundo marinho. No entanto, os investigadores alertam que estas espécies poderão ser afetadas por outros impactos não abordados no estudo, como a acidificação dos oceanos e as ondas de calor marinhas.

Este novo estudo contou com o apoio do “Projeto Atum” do Common Oceans Program, liderado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), e pelo Ocean Stewardship Fund do MSC.

“As alterações climáticas fazem com que as espécies marinhas mudem o seu comportamento. Estão a ocorrer migrações de peixes para maiores profundidades e latitudes, à procura de águas mais frescas. Isto dificulta às pescarias a localização dos bancos tradicionais e torna obsoletos alguns acordos pesqueiros entre países, devido à deslocação das populações de peixes”, refere Alberto Martín, diretor do MSC para Espanha e Portugal. E acrescenta: “É essencial que as organizações de gestão das pescas adotem uma abordagem mais adaptativa e comecem a integrar variáveis climáticas e os seus efeitos nas migrações nas medidas de gestão”.

Por sua vez, Joe Zelasney, gestor do Projeto Atum do Programa Oceanos Comuns, acrescenta que “as alterações climáticas vão criar vencedores e perdedores nas pescarias de atum, com impactos potencialmente devastadores para algumas pequenas economias insulares em desenvolvimento. É fundamental que governos e organizações regionais de gestão de atum em alto mar cooperem de perto e se antecipem a estas mudanças para proteger os meios de subsistência e a segurança alimentar da região”.

 

 

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