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Greenpeace acusa “uso do medo do grande apagão” para atrasar renováveis e prolongar energia fóssil
Organização ambientalista diz que incidente está a ser instrumentalizado para atrasar a transição energética, ao defender que a prioridade deve ser modernizar redes, investir em armazenamento e reduzir a dependência de combustíveis fósseis.
28 Abr 2026 - 10:39
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Foto: Adobe Stock/oscargutzo
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A Greenpeace acusou “o uso do medo” associado ao “grande apagão” de 28 de abril de 2025 como argumento para travar o avanço das energias renováveis e prolongar a dependência do gás fóssil. Em comunicado divulgado, a organização ambientalista afirma que os relatórios técnicos disponíveis desmontam a ideia de que a produção renovável esteve na origem da falha.
Faz nesta terça-feira um ano o apagão que afetou milhões de pessoas em Portugal e Espanha, com impactos em transportes, comunicações e serviços essenciais. Segundo a organização, o incidente expôs vulnerabilidades estruturais do sistema elétrico ibérico, nomeadamente ao nível do controlo da tensão, gestão da potência reativa e coordenação entre operadores da rede.
O relatório europeu da ENTSO-E afasta uma responsabilidade direta de Portugal, apontando que a falha teve origem no sistema elétrico espanhol. Ainda assim, a dimensão do impacto demonstrou a necessidade de redes mais robustas, flexíveis e preparadas para responder a perturbações.
“O apagão não pode ser usado para alimentar medo em relação às renováveis, nem para defender soluções que mantêm o país dependente de combustíveis fósseis”, rematou o diretor da Greenpeace Portugal, Toni Melajoki Roseiro, citado no comunicado. O responsável defende antes a aceleração de investimentos na modernização da rede elétrica, no armazenamento e na redução do uso de gás.
Não havia “renováveis a mais”
A organização sustenta que a narrativa de que “havia renováveis a mais” é tecnicamente errada. “A falha não teve a ver com as tecnologias usadas para produzir eletricidade, mas sim com a forma como estavam a operar”, refere, ao acrescentar que outros países europeus operavam, no mesmo momento, com elevadas quotas de energia eólica e solar sem incidentes semelhantes.
No comunicado, a Greenpeace rejeita também o argumento de que a energia nuclear seria necessária para evitar apagões. Apesar de Portugal não ter centrais nucleares, a organização considera que esta tecnologia é “cara, lenta e pouco flexível”, ao referir que, no dia do apagão, várias centrais nucleares em Espanha não contribuíram para estabilizar o sistema.
Outro dos pontos criticados é a dependência do gás fóssil. A organização reconhece que centrais a gás ajudaram na reposição do serviço, mas argumenta que isso não justifica o seu papel estrutural no sistema energético. “A dependência do gás fóssil mantém Portugal exposto à volatilidade dos preços internacionais, à importação de combustíveis fósseis, às emissões de CO₂ e a um modelo energético centralizado que atrasa a transição para fontes limpas, locais e renováveis”, defende a organização.
Aponta ainda falhas de várias centrais durante o incidente e critica os mecanismos que continuam a garantir receitas elevadas a estas infraestruturas: “Durante o primeiro ano após o apagão, as centrais a gás receberam receitas ainda maiores através do modelo de ‘operação reforçada’ da rede elétrica, que mantém mais centrais ligadas ‘por precaução’, aumentando as faturas das famílias e empresas e as emissões de CO₂”.
No estudo “Energia para viver melhor”, citado no comunicado, a Greenpeace sustenta que Portugal e Espanha poderão abandonar os combustíveis fósseis e a energia nuclear até 2040, garantindo o fornecimento contínuo de eletricidade.
O primeiro aniversário do apagão coincide com a realização de uma conferência internacional sobre a transição energética na Colômbia. A organização apela aos governos para que aproveitem o momento para avançar com planos concretos de abandono dos combustíveis fósseis e medidas fiscais dirigidas à indústria energética.
A responsável de campanha da Greenpeace, Sara Pizzinato, defende a criação de um imposto extraordinário sobre grandes empresas do setor, alegando que estas continuam a beneficiar financeiramente apesar das falhas registadas. “Queremos energia para viver melhor, não para fazer crescer as contas das empresas do oligopólio”, declarou.
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