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PME com dificuldade em implementar medidas de eficiência energética
Os líderes empresariais consideram a eficiência energética estreitamente ligada ao seu desempenho competitivo, segundo um estudo internacional da Agência Internacional de Energia. Investimento em frotas elétricas e na eficiência de edifícios no topo das medidas.
26 Mar 2026 - 07:31
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As empresas reconhecem globalmente o valor competitivo da eficiência energética, mas as mais pequenas enfrentam barreiras que limitam a sua capacidade de investimento nesta área, revela uma nova análise do Inquérito à Competitividade Industrial 2025 da Agência Internacional de Energia (IEA).
A pesquisa, realizada com 1 000 empresas em 14 países, mostra que 80% dos líderes empresariais consideram que a eficiência energética contribui diretamente para melhorar o desempenho competitivo.
O impacto é particularmente relevante em setores intensivos em energia, como o aço, os produtos químicos e a mineração.
Neste último, onde a energia pode representar entre 20% e 40% dos custos operacionais, as empresas apontam ganhos mais expressivos, sobretudo em mercados como Índia e Indonésia, onde a eletricidade fora da rede é mais cara.
Quando questionadas sobre como reagiriam a custos energéticos mais elevados, a eficiência energética surgiu também como a principal resposta estratégica. Quase 40% dos líderes industriais classificaram a eficiência energética como a medida mais importante para compensar aumentos dos preços da energia, seguida de perto pelo investimento em energias renováveis no local.
Ainda assim, como indicou o inquérito, as intenções nem sempre se traduzem em ação. Perante flutuações nos preços da energia, cerca de 30% das empresas referiram ter reduzido a produção ou transferido os custos para os clientes, medidas que podem diminuir a competitividade e evidenciam limitações na capacidade de investir em eficiência, assinala a AIE.
A dimensão como fator crítico
Embora o valor da eficiência energética seja amplamente reconhecido, as empresas diferem na sua capacidade de implementar medidas, sendo a dimensão um fator determinante tanto no alcance como na rapidez da ação. As grandes empresas tendem a adotar estratégias abrangentes de longo prazo, apoiadas por maior investimento, conhecimento interno e sistemas formais de gestão de energia. Já as empresas mais pequenas, com recursos mais limitados, tendem a implementar medidas de forma gradual e isolada.
No inquérito, as empresas com mais de 5 000 trabalhadores apresentaram as taxas mais elevadas de implementação em todas as medidas de eficiência avaliadas, incluindo a otimização de processos e o investimento em tecnologias digitais. Em contraste, as PME ficaram significativamente atrás, com 40% a 80% a reportar incapacidade para implementar determinadas melhorias de eficiência.
Algumas das medidas mais populares (ver gráfico abaixo) são o investimento em frotas elétricas, medidas de eficiência em edifícios e recurso a tecnologias digitais.
Esta diferença na implementação tem consequências. Empresas com menos de 100 trabalhadores reportaram poupanças médias de cerca de 12% resultantes de ações de eficiência, comparadas com quase 20% nas empresas de maior dimensão.
Recursos financeiros e humanos limitados, bem como abordagens menos estruturadas à gestão de energia, reduzem a capacidade das empresas mais pequenas de identificar e concretizar melhorias, resultando em custos energéticos mais elevados por unidade de produção e menor competitividade, salientam os analistas.
Mas a eficiência energética oferece mais do que poupanças financeiras. Mais de metade das empresas inquiridas indicaram que a implementação destas medidas reduziu custos de manutenção e operação, aumentou a produtividade, proporcionou maior resiliência face à volatilidade dos preços da energia e melhorou a reputação da marca. Quase metade referiu ainda um impacto significativo no acesso ao mercado interno e nas exportações, bem como na captação de novos clientes e financiamento.
De assinalar que dois terços das empresas com volume de negócios anual entre cerca de 920 milhões de euros e 4,6 mil milhões de euros afirmaram que as medidas de eficiência tiveram um forte impacto na produtividade, comparado com 43% das empresas com volume de negócios inferior a cerca de 92 milhões de euros. Isto evidencia diferenças na capacidade de transformar investimentos em eficiência em ganhos de produtividade.
A AIE conclui que as políticas de eficiência energética são chave para reforçar a competitividade, cabendo aos governos facilitar a adoção destas medidas. Uma abordagem eficaz passa por, na perspetiva da agência internacional, combinar regulamentação, informação e incentivos financeiros. As medidas devem ainda ser ajustadas ao perfil das empresas. Por exemplo, as grandes empresas respondem melhor a obrigações como auditorias energéticas e as PME beneficiam mais de apoios e programas de incentivo. O recurso a boas práticas internacionais ajuda também a garantir políticas mais eficazes e adaptadas à realidade de cada país, indica a AIE.
Percentagem de empresas inquiridas que implementaram medidas de eficiência energética nos últimos cinco anos, 2025
Gráfico: AIE

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