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Eletrificação de frotas automóveis pode poupar 246 mil ME às empresas europeias até 2030
Estudo revela poupanças operacionais e forte redução de emissões, mas identifica obstáculos que têm deixado as empresas reticentes à adoção da mobilidade elétrica.
25 Mar 2026 - 16:22
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Foto: Freepik
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A eletrificação das frotas automóveis empresariais na Europa poderá gerar poupanças acumuladas de 246 mil milhões de euros até 2030, segundo um estudo recente da EY e da Eurelectric. Apesar do potencial económico e ambiental, apenas 6% das frotas das empresas são atualmente elétricas, revelando um atraso neste setor.
De acordo com o relatório “Frota de veículos: impulsionar a transição para a mobilidade elétrica”, as poupanças estimadas equivalem a cerca de 49 mil milhões de euros por ano, sendo que entre 130 mil milhões e 140 mil milhões poderão resultar apenas da redução dos custos com combustível. A eletrificação total permitiria ainda evitar até mil milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono até ao final da década.
Os dados mostram que, em vários segmentos, os veículos elétricos já apresentam custos operacionais inferiores aos modelos de combustão, sobretudo quando o carregamento é feito em instalações próprias. Ainda assim, esses resultados não têm sido suficientes para impulsionar uma adoção generalizada.
O estudo identifica quatro obstáculos principais: os elevados custos de compra, a incerteza quanto ao valor residual das viaturas, a inconsistência dos incentivos públicos e os atrasos na expansão da infraestrutura de carregamento e na ligação à rede elétrica. Estes fatores continuam a pesar nas decisões de investimento das empresas.
“A eletrificação das frotas já garante vantagens a nível dos custos operacionais em vários segmentos, mas o custo total continua condicionado por limitações estruturais”, afirma Constantin M. Gall, responsável global de mobilidade na EY, citado em comunicado. A forma como estes entraves forem resolvidos será determinante para o ritmo da transição, adiciona.
Também José Roque, responsável pelo segmento de energia da EY Portugal, defende que a eletrificação deve ser encarada como “uma oportunidade estratégica” para reforçar a competitividade industrial e energética da Europa, exigindo, contudo, “um planeamento integrado” entre transportes, energia e infraestruturas digitais.
Os dados mostram que, na União Europeia, seis em cada dez veículos novos são adquiridos por empresas, responsáveis por 71% das emissões de CO2 do setor automóvel. Para Kristian Ruby, secretário-geral da Eurelectric, “uma estratégia bem desenhada pode acelerar a procura por veículos elétricos e fortalecer a indústria europeia e a independência energética”.
O estudo destaca ainda 2025 como “um ponto de viragem” na mobilidade elétrica. Pela primeira vez, os novos registos de veículos elétricos ultrapassaram os de automóveis a combustão na Europa, ainda que por uma margem mínima. Globalmente, os elétricos já representam 26% do mercado, com a Europa nos 29%, acima dos Estados Unidos (12%), mas ainda abaixo da China (48%).
A expansão da infraestrutura acompanha esta tendência. A rede pública europeia ultrapassa 1,2 milhões de pontos de carregamento, mais 19% do que em 2024 e três vezes mais do que em 2021. No segmento dos veículos pesados, o crescimento foi ainda mais expressivo, com um aumento de 30% no último ano.
Apesar dos avanços, o relatório insiste na necessidade de coordenação entre empresas, indústria automóvel, setor energético e decisores políticos. Sem previsibilidade regulatória e investimento consistente, conclui, o potencial económico e ambiental da eletrificação poderá ficar aquém do esperado.
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