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Poluição contribui para problemas de saúde mental como depressão e ansiedade
Relatório da Agência Europeia do Ambiente encontra correlação crescente entre exposição a poluentes (ar, ruído e químicos) e problemas de saúde mental. UE registou aumento significativo de perturbações nas últimas décadas.
03 Mar 2026 - 18:03
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Foto: Adobe Stock/24Novembers
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A exposição à poluição, em particular do ar, do ruído e de substâncias químicas, está cada vez mais associada a problemas de saúde mental, segundo um novo relatório da Agência Europeia do Ambiente (AEA). Embora sublinhe que são necessários mais estudos para estabelecer uma relação causal inequívoca, o documento conclui que a evidência científica acumulada aponta para uma correlação significativa entre ambientes poluídos e o agravamento ou surgimento de perturbações como depressão, ansiedade e esquizofrenia.
No relatório intitulado “Poluição e saúde mental: evidências científicas atuais”, a AEA recorda que as perturbações mentais resultam de múltiplos fatores (genéticos, sociais, económicos, psicológicos e de estilo de vida), alguns ainda insuficientemente compreendidos. A poluição surge agora como mais um elemento a integrar este quadro complexo.
A Europa tem assistido, nos últimos 25 anos, a um aumento expressivo da prevalência e incidência de doenças mentais. Em 2023, estas representaram a sexta maior razão de doença na União Europeia e foram a oitava causa de morte mais comum.
Impacto do ar poluído, ruído e químicos
Entre os exemplos analisados, destaca-se o impacto da poluição atmosférica nas fases críticas do desenvolvimento cerebral, por exemplo, durante o período de gestação, infância e no início da adolescência. Está, assim, associada a alterações estruturais e funcionais do cérebro.
A exposição prolongada a má qualidade do ar, sobretudo a partículas finas (PM2.5) e dióxido de azoto (NO2), está ligada a um aumento da prevalência e do risco de novos casos de depressão. Já os picos de exposição de curta duração foram associados ao agravamento de sintomas de esquizofrenia.
O ruído ambiental foi outro fator estudado. O aumento do ruído rodoviário está interligado com uma subida de 3% no risco de depressão e de 2% no risco de ansiedade. No caso do ruído ferroviário, os dados apontam para um aumento de 2,2% nas taxas de suicídio por cada acréscimo de 10 decibéis.
Uma meta-análise citada no relatório encontrou ainda um aumento de 12% no risco de depressão por cada subida de 10 decibéis no indicador Lden associado ao ruído de aeronaves. A exposição continuada a ruído ambiental está também ligada a uma maior prevalência de problemas comportamentais em crianças, com impacto direto no seu bem-estar mental.
No domínio das substâncias químicas, o relatório identifica vínculos entre a exposição pré-natal ou na infância ao chumbo (Pb) e o desenvolvimento de depressão e esquizofrenia. A exposição ao fumo passivo é consistentemente ligada às mesmas patologias, com maior incidência em grupos vulneráveis como crianças e grávidas.
Estudos analisados pela AEA apontam ainda para uma relação entre exposição pré-natal ao bisfenol A (BPA) e sintomas de depressão e ansiedade na infância.
Redução da poluição como prioridade
Apesar das limitações na demonstração de causalidade direta, a AEA considera que a evidência disponível reforça a necessidade de aplicar plenamente a legislação europeia e reduzir a exposição à poluição.
O relatório engloba estas conclusões na abordagem “One Health” (“Uma Só Saúde”), que reconhece a interdependência entre saúde humana, animal e ambiental. A estratégia não se limita à mitigação da poluição. A promoção de soluções baseadas na natureza, como o acesso a espaços verdes e azuis, é apresentada como instrumento complementar para melhorar a saúde mental, estimular a atividade física e reforçar a coesão social.
Práticas como a jardinagem, o exercício em espaços naturais ou os chamados “banhos de floresta” têm demonstrado efeitos benéficos na saúde mental, ainda que variáveis, segundo a agência.
Para a AEA, o cumprimento dos objetivos do Plano de Acão para a Poluição Zero da União Europeia poderá contribuir para melhorar o bem-estar mental de milhões de europeus, numa altura em que a saúde mental se afirma como um dos principais desafios de saúde pública no continente.
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